Pesquisa

Apenas 183 deputados manifestaram publicamente apoio a Temer contra denúncia de Janot

Levantamento feito pela consultoria Bites mostra que presidente tem os votos necessários para barrar afastar o primeiro fantasma, mas apoio pode ser menor que o previsto

Brasília – Plenário da Câmara dos Deputados, durante pronunciamento do Presidente Temer. Foto José Cruz/Agência Brasil
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O presidente Michel Temer conta hoje com apoio suficiente para barrar no plenário da Câmara dos Deputados o avanço da denúncia por corrupção passiva apresentada contra ele pelo procurador-geral Rodrigo Janot, mas o placar da batalha prevista para a próxima quarta-feira (2) tem grande importância para o futuro do atual governo. Isso porque uma ou mais denúncias ainda deverão ser apresentadas pelo PGR e o governo ainda tem planos para retomar sua agenda de reformas, com destaque para as polêmicas modificações nas regras da Previdência via Proposta de Emenda à Constituição.

Uma pesquisa feita pela consultoria Bites com base em posições assumidas pelos parlamentares nas redes sociais, entrevistas a qualquer veículo de imprensa ou em discursos indica que, com a esperada exoneração temporária de dez ministros com cargo de titular na casa legislativa para participar da sessão, ao menos 183 deputados deverão votar com o relatório de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que pediu o arquivamento da denúncia. A oposição, por sua vez, conta com ao menos 213 votos, enquanto 116 são classificados indefinidos.

Segundo o levantamento, o PMDB tem 16 parlamentares indefinidos, 18 contrários a denúncia e oito favoráveis. Do lado do PSDB, são cinco indefinidos, 18 contra e 23 a favor. É mais um sinal de que um dos principais fiadores do atual governo ensaia pular do barco governista e complicar ainda mais as condições de Michel Temer. Mesmo assim, notam-se esforços do senador Aécio Neves em garantir o apoio do partido ao presidente: em Minas Gerais, dos sete deputados tucanos, apenas Eduardo Barbosa deseja encaminhar a denúncia ao Supremo Tribunal Federal para que o peemedebista se torne réu.

Aprenda a investir na bolsa

Do ponto de vista regional, a maior taxa relativa de deputados favoráveis à denúncia de Rodrigo Janot aparece no Sul (49%), seguido por Nordeste (45%) e Sudeste (43%). Na outra ponta, Temer conta com maior apoio proporcional no Norte (45%) e Centro-Oeste (39%). Em termos nominais, as regiões Nordeste e Sudeste lideram o movimento pela autorização do seguimento da denúncia à corte. A tabela abaixo ilustra o cenário:

 Indefinido (% na região)Não* (% na região)Sim* (% na região)TOTAL
Centro-oeste6 (14,63%)19 (46,34%)16 (39,02%)41
Nordeste24 (15,89%)59 (39,07%)68 (45,03%)151
Norte31 (47,69%)16 (24,62%)18 (27,69%)65
Sudeste48 (26,97%)54 (30,34%)76 (42,70%)178
Sul13 (16,88%)26 (33,77%)38 (49,35%)77
TOTAL122174216512**

* Sim: pela autorização do recebimento da denúncia
* Não: pela rejeição do recebimento da denúncia
** O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não foi contabilizado

Fonte: Bites

Apesar de suficiente para afastar o fantasma em um primeiro momento por superar a marca dos 172, o grupo de apoiadores conquistado pelo peemedebista não é capaz de garantir a abertura da sessão amanhã, o que demanda quórum de pelo menos 342 deputados. Com isso, ainda não há certeza se haverá deliberação sobre a denúncia na sessão de quarta-feira e o peemedebista pode continuar com essa faca no pescoço por mais tempo, além do risco de ser exposto a novas denúncias e ataques via delações premiadas.

De todo modo, o que se desenha no horizonte é a conquista de um placar menor que o necessário para a aprovação de uma PEC, mantendo dúvidas sobre as reais condições de o governo conduzir uma aprovação da Reforma da Previdência, por mais enxuta que possa ser. No mercado, cresce a percepção de que um placar mais próximo dos 200 votos significará que Temer não foi capaz de demonstrar força, ao passo que se o governo conseguisse algo perto dos 300 votos, teria mostrado que o peemedebista ainda controla parte importante da casa.