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Anúncio da S&P fortalece posição de Levy no governo Dilma, ressalta consultoria

Além disso, LCA destaca que anúncio também é um importante argumento junto ao Congresso para a aprovação das medidas fiscais

SÃO PAULO – Na noite da última segunda-feira (23), a agência de risco Standard & Poor’s reafirmou o rating de crédito da dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil em “BBB-” e o rating de crédito da dívida de longo prazo em moeda local em “BBB+”. A perspectiva é estável. 

E, de acordo com a LCA Consultores, este anúncio da S&P fortalece a posição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no governo de Dilma Rousseff, além de ser um importante argumento junto ao Congresso para a aprovação das medidas fiscais.

A consultoria destaca que a  atual classificação brasileira reflete a solidez das instituições políticas e o comprometimento com políticas que garantam a estabilidade econômica. “De fato, o comunicado da S&P destacou as várias correções da política econômica no segundo mandato de Dilma, que não constavam no cenário básico da agência. Foram citados os ajustes na política fiscal e parafiscal, a correção dos preços administrados, o ciclo de aperto monetário e a redução das intervenções do BC no mercado cambial via uma menor oferta de swaps”, avalia a LCA.

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A agência, por outro lado, considerou a execução dessas mudanças econômicas como desafiadoras, tendo em vista o cenário de contração da economia e a forte queda da popularidade da presidente, que pode piorar ainda mais com o avanço do desemprego, vendo uma retração econômica de 1% neste ano, enquanto projeta um déciti fiscal de 4,9% este ano, ainda alto, mas abaixo dos 6,3% observados em 2014.

Entre os riscos para cumprir a meta de superávit primário, estão a possibilidade do Congresso diluir as medidas fiscais do ministro Levy e uma contração econômica que reduza a arrecadação de tributos. Quanto às contas externas, apesar de o déficit em conta corrente continuar em elevado patamar, em cerca de 4% do PIB, a alta participação de investimentos estrangeiros diretos no seu financiamento mantém reduzida a necessidade externa de captação de recursos.

Do lado positivo, as investigações de grandes empresas e partidos políticos envolvidos no escândalo da Petrobras foram destacadas como um exemplo de força das instituições políticas do país.

“A estabilidade da perspectiva do rating brasileiro reflete a expectativa de apoio da presidente Dilma e do Congresso à atual política econômica. A S&P acredita que o sucesso na execução desta política ajudará a recuperar a credibilidade do governo junto aos investidores”, afirma a LCA.

Quanto ao cenário de médio prazo, a LCA destaca que a S&P espera a retomada do programa de concessões no setor de infraestrutura, com novas bases para atrair o setor privado.

Impacto no câmbio
Conforme destaca a equipe econômica do Bradesco,  diante do cenário externorefletindo em grande medida a reavaliação do mercado acerca dos próximos passos do Fed (que no encontro da semana passada reduziu as projeções para as taxas de juros e sugeriu alguma cautela) e da melhora já observada ontem (favorecida pela manutenção da nota de crédito e do grau de investimento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s), o real seguirá a tendência de apreciação.

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“Ainda assim, as incertezas políticas seguirão pesando não só sobre o mercado de câmbio, mas também sobre o mercado de juros futuros. Esse aguarda a divulgação do relatório trimestral de inflação na quinta-feira, lembrando que hoje teremos a divulgação da nota à imprensa do setor externo”, destaca.