Antes de investir na Vale, conheça 10 itens que devem ser levados em consideração

Intervenção política e mudança nos royalties podem pressionar, assim como fundamentos podem ser ignorados no curto prazo

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Com perspectivas positivas para o longo prazo, as ações da Vale lideram a lista de recomendações para o mês de setembro, conforme compilação da InfoMoney. No entanto, os papéis preferenciais amargam uma desvalorização de 10,54% no acumulado deste ano, conforme cotação de fechamento do pregão de terça-feira (13).

Assim, apesar de todos os analistas entrevistados pela InfoMoney ressaltarem a sua indicação de compra para as ações da companhia, a aquisição dos ativos da Vale também está sujeita a certos riscos, assim como todo investimento. Deste modo, leia mais sobre 10 itens que devem ser levados em consideração antes de se decidir pelo investimento na empresa:

Riscos no curto prazo
A grande maioria dos analistas ressalta os bons fundamentos que a mineradora possui e o grande desconto na cotação de seus papéis, mas tais aspectos podem ser ignorados pelo mercado no curtíssimo prazo, alerta o analista da Socopa Corretora, Marcelo Varejão.

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A incerteza relativa à situação fiscal em economias da Zona do Euro e a lenta recuperação econômica dos EUA pressionam os mercados internacionais, os quais foram marcados nas últimas semanas pela alta volatilidade. Assim, em um cenário que pede por cautela, as ações de empresas relacionadas a commodities – setor intimamente relacionado ao crescimento econômicos dos países – sofrem mais na bolsa no curtíssimo prazo, afirma.

Expectativas podem ser exageradas
No primeiro trimestre deste ano a Vale contabilizou um lucro líquido de R$ 11,3 bilhões, o maior reportado em um período de três meses na história da empresa, quebrando o recorde apresentado no terceiro trimestre do ano anterior.

No entanto, aqueles que esperam por novas marcas históricas nos trimestres seguintes podem se frustrar, alerta o analista da Spinelli Corretora, Max Bueno. “A rentabilidade no patamar atual é improvável”, diz, apesar de estimar que o crescimento da companhia é sustentável.

Oferta de minério de ferro deve aumentar
As projeções para a demanda por minério de ferro são de crescimento para os próximos anos, conforme estimado pela Rio Tinto neste mês. No entanto, a oferta da commodity também pode se incrementar – inclusive com a maior participação de siderúrgicas como Usiminas (USIM3, USIM5) e Gerdau (GGBR4) no setor – e, assim, acirrar uma disputa comercial, alerta Victor Penna, do Banco do Brasil Investimentos.

Bueno concorda com tal visão e alerta que se a oferta de minério de ferro realmente se incrementar nos próximos anos, em conjunto com a possível desaceleração da economia chinesa, as margens da companhia podem ser pressionadas, “apesar de continuarem historicamente altas”.

Dependência chinesa
Em um cenário no qual a economia internacional enfrenta diversos problemas, tais como a crise fiscal na Europa e a desaceleração econômica nos EUA, Penna faz um alerta à dependência chinesa.

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“A Vale possui forte dependência com relação à China. Caso o PIB (Produto Interno Bruto) cresça menos, ou a bolha no setor imobiliário estoure, pode fazer com que a demanda sofra um recuo muito grande”, pondera o analista.

Conforme publicado em relatório referente ao resultado do segundo trimestre deste ano, 41,7% das vendas de minério de ferro e pelotas da companhia – que são os principais segmentos de atuação da empresa – se destinaram à China. Considerando-se os números totais, a China respondeu por 31,96% da receita líquida da companhia no período.

Apesar da economia chinesa continuar forte – crescimento de 10,3% no ano anterior -, sinais de desaceleração já começam a ser registrados, tais como o avanço em base anual de 9,5% do PIB no segundo trimestre deste ano, contra os 11,9% no primeiro trimestre de 2010.

Intervenção Política
“O governo brasileiro detém doze ações preferenciais especiais, que lhe confere direitos permanentes de veto sobre assuntos específicos”, declara a Vale em relatório sobre os resultados referentes ao segundo trimestre deste ano. A companhia possui como grupo controlador a Valepar que, por sua vez, tem o controle dividido entre Bradespar, BNDESPar, Litel, Mitsui e Elétron.

Em um dos movimentos mais polêmicos deste ano envolvendo a mineradora, consta a intervenção do Governo na Vale ao forçar a saída de Roger Agnelli no cargo de CEO para dar lugar a Murilo Ferreira, até então presidente da Vale Canadá.

Segundo o analista Ivanor Torres, da Geral Investimentos, é preciso observar com cuidado se o foco da companhia não irá sofrer alteração, de modo a utilizar recursos da empresa para atender a programas do Governo.

Investimento em siderurgia
Conforme dito anteriormente, a participação indireta do Governo pode resultar em investimentos que não agradam aos investidores, tal como o siderúrgico, fato que pode pressionar as ações, pelo menos em um cenário de curto prazo.

Segundo o analista Max Bueno, da Spinelli Corretora, existe a preocupação de que a Vale passe a investir com mais afinco em tal setor, o qual possui um excesso de capacidade instalada no mundo. Ademais, além do setor passar por um momento de margens reduzidas, o Brasil está perdendo competitividade em siderurgia no cenário mundial, alerta.

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Mudança nos royalties
Torres também lembra que o setor de mineração atravessa um período de mudanças na legislação sobre os royalties pagos pelas empresas ao Governo, o que pode gerar uma despesa adicional à companhia.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, os royalties para todos os minérios deverão dobrar com a alteração na legislação. Para a divulgação do novo código da mineração resta apenas a criação da agência reguladora para o setor, diz. No entanto, Varejão lembra que, como as discussões já ocorrem há algum tempo, o mercado já pode ter precificado os possíveis impactos.

No entanto, tal opinião não é consenso entre os analistas e Daniella Maia, da Ativa, escreve em relatório que “a aparente aceleração desse processo de aumento de encargo sem maiores estudos deve impactar negativamente a visão do mercado para o setor de mineração, em especial para Vale, MMX (MMXM3) e CSN (CSNA3)”.

Volatilidade em momentos incertos
Geralmente, a liquidez de uma empresa é avaliada como um ponto positivo antes do investidor tomar alguma decisão de investimento. No entanto, “ativos mais líquidos em momentos de turbulência podem ter uma volatilidade maior”, explica Bueno, uma vez que em tais momentos o investidor estrangeiro busca desmontar suas posições a uma velocidade mais rápida, possibilidade que empresas como a Vale proporcionam. Por outro lado, em condições normais a tendência é que a volatilidade seja reduzida.

Vale ou MMX?
Apesar do grande número de recomendações para o investimento nas ações da Vale, há aqueles que indicam outras opções no momento para o mesmo setor. Por exemplo, na carteira recomendada da Spinelli para setembro, a VALE5 foi substituída pelas ações da MMX, apesar da avaliação de diversos analistas de que esta seja mais arriscada que a primeira.

“Embora as duas sigam com ótimas perspectivas de resultado para 2011, entendemos que a última reavaliação de recursos minerais (3,1 bilhões de toneladas de recursos em Serra Azul, Pau de Vinho, Corumbá e Bom Sucesso, 106% maior que o último relatório) auditados pela SRK, constitui-se em driver de curto prazo, justificando performace acima da média do mercado”, revela a corretora em relatório.

Para quem busca dividendos, compre outro setor
Com uma distribuição de US$ 3 bilhões em dividendos após o resultado do segundo trimestre deste ano, os papéis da companhia chegaram a figurar em algumas carteiras de dividendos recentemente, mas o investidor que procura por ações com bom histórico de pagamento de dividendos não deve procurar a Vale, diz Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora.

“Se comparada a outras empresas, a Vale não tem bom histórico de pagamento de dividendos”, alerta Martins. O analista sugere que, para esse tipo de investidor, opte por ações do setor de energia elétrica ou de alguns bancos.

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