Analistas traçam estratégias de investimento com base nas eleições de 2010

Mudança de governo deve manter prudência econômica, mas perfis distintos trazem cenários alternativos para ações

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SÃO PAULO – Uma disputa eleitoral de grandes proporções, como a que ocorrerá no Brasil em 2010, abre espaço para discussão de modelos e políticas públicas.

Apostando na manutenção das linhas mestras macroeconômicas, os analistas do Bank of America Merrill Lynch apontaram possíveis caminhos para investimentos em ações.

Embora os cenários resultantes do pleito de 2010 sejam muitos, os analistas traçaram suas expectativas em torno dos principais nomes que envolvem a sucessão presidencial e a renovação do parlamento, associando casos de investimento a cada um deles.

Os concorrentes

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A cada dia que passa, fica mais próxima a confirmação da ministra Dilma Roussef como candidata governista. Ungida pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, ela é apontada pela Merrill Lynch como candidata mais provável pelo PT.

Sua eleição significaria a manutenção de políticas macroeconômicas, como câmbio flutuante, disciplina fiscal e metas de inflação, mas também o aprofundamento da intervenção do governo na Economia por meio dos programas sociais e gastos em infra-estrutura.

Já a oposição, encabeçada pelo PSDB, traria para o jogo o governador paulista José Serra, como caso mais provável. Sua vitória significaria, além da continuidade macroeconômica, a busca por reformas que reduzam os gastos públicos e a reorientação de agências reguladoras para uma menor intervenção.

Um outro caso analisado, mas que é considerado pouco provável pelo banco de investimentos, é o da eleição de um candidato de perfil considerado “populista”. Sua ocorrência levaria a deterioração fiscal e redução das expectativas quanto ao crescimento, ao mesmo tempo em que a inflação poderia aumentar.

Seguindo o ritmo

Um dos cenários traçados pelos analistas leva em conta possíveis modificações positivas para o mercado nas políticas micro econômicas, que o novo governo pode trazer após 2010. Fundamentalmente, mudanças na governança corporativa de estatais, elevação de investimentos em infra-estrutura e construção de casas são consideradas.

Um dos destaques mencionados pelos analistas é a Eletrobrás (ELET6), que seria beneficiada pela melhora na governança, uma vez que haveria uma menor tendência de investimento em projetos bom taxas de retorno não atraentes, assim como da contratação de energia a preços subótimos. Outros potenciais beneficiários são os papéis da Petrobras (PETR4) e do Banco do Brasil (BBAS3).

Mais fôlego

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Também o setor imobiliário poderia ter decorrências positivas. “O foco na construção de casas deve permanecer no próximo mandato presidencial”, afirmaram os estrategistas do BofA Merrill Lynch, deste modo garantindo o financiamento a residências de baixa renda, assim como o acesso ao capital para as empresas do setor.

Neste caso, são destacadas as companhias Cyrela (CYRE3), Duratex (DURA4) e Gafisa (GFSA3), além de MRV (MRVE3), PDG (PDGR3) e Rossi (RSID3).

Com apoio privado

No setor de infra-estrutura, o aumento de investimentos deve ser acompanhado da ampliação de concessões e parcerias público-privadas. A ocorrência da Copa do Mundo de futebol, em 2014, também deve pressionar o Estado a ampliar os gastos, mas os analistas esperam pela indicação do atual governo de um novo projeto similar ao PAC (Programa de Apoio ao Crescimento).

Caso o cenário se confirme, os analistas põe em evidência os papéis de ALL (ALLL11), CCR (CCRO3), GOL (GOLL4), Lupatech (LUPA3), OHL (OHLB3) e TAM (TAMM4).

Uma nova onda

No caso menos provável da eleição de um candidato de perfil avesso às políticas pró-mercado, os analistas recomendam papéis com perfil mais defensivo, com bom histórico de pagamento de dividendos, como empresas do setor de telefonia e energia.

Ao mesmo tempo, a volatilidade cambial esperada sugere uma postura defensiva na exposição ao real, o que faz os analistas sugerirem a exposição a companhias exportadoras.

No caso de consumo e varejo, os analistas apontam que o posicionamento em papéis da que se destaquem por conta de sua gestão conservadora do balanço, com baixos níveis de alavancagem. Estas empresas estariam mais bem posicionados para realizar estratégias de crescimento.