Analistas ficam divididos quanto aos efeitos do caso Renan no cenário econômico

Não é certo se economia pode sofrer com resultado da sessão de votação para a cassação de Renan Calheiros

SÃO PAULO – O Conselho de Ética do Senado vota, nesta quarta-feira (12), em sessão secreta, a cassação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O que se questiona neste momento, é a possibilidade de haver desdobramentos deste evento na economia do país.

De acordo com o diretor da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, há grandes chances de a votação ter implicações econômicas. “Dependendo do resultado, pode reduzir ou ampliar a confiabilidade das estruturas do país”.

Risco institucional

Diante de um cenário de menor confiança nas instituições brasileiras, Paulo Petrassi, gestor de renda fixa da Leme Investimentos completa que quem deverá ver a situação com mais relevância serão os investidores estrangeiros. “Sem dúvida se o presidente do Senado não for cassado, teremos uma demonstração péssima do trabalho do Senado brasileiro e os estrangeiros podem ver isso com maus olhos.”

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No entanto, de acordo com o analista, o efeito direto desta decisão no mercado brasileiro será reduzido no curto prazo. “O mercado interno está se mostrando mais influenciado pelo cenário internacional. Sendo assim, o impacto no mercado financeiro deve ser superficial”. – afirma Petrassi.

Por outro lado, os analistas do Santander acreditam que os desdobramentos do evento na economia não devem ser significativos. Segundo eles, o único fator de influência seria a tramitação da CPMF, que tende a ser dificultada pela oposição, caso esta saia derrotada em sua tentativa de afastar Renan Calheiros.

O caso Renan

Por 11 votos a 4, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidiu, na última quarta-feira (5), que o processo contra Renan deveria seguir para votação em plenário. Desta forma, Renan será julgado depois de três meses envolvido em uma série de acusações de quebra de decoro parlamentar.

A principal acusação que recai sobre o presidente do Senado é a de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior.