Analistas apontam impactos negativos de possível regulação bancária nos EUA

Restrição aos bancos pode diminuir liquidez e levar a mais perdas; possível corte de gastos nos EUA também não é bem visto

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SÃO PAULO – Com as propostas de regulação ao sistema financeiro na pauta do noticiário, cresce o questionamento sobre os possíveis impactos políticos e econômicos de restrições às atividades dos bancos. Apesar dos entraves do legislativo e a dúvida sobre a aprovação da proposta de Obama, analistas de peso comentam o assunto e o atual cenário econômico.

Regulação dos bancos
O analista do Goldman Sachs, Daniel Harris, é categórico ao afirmar que “as restrições ao total de passivos (e com isso, de ativos) pode forçar grandes bancos a reduzir o tamanho de sua carteira de empréstimos”.

Com relação ao proprietary trading, pelas quais os bancos obtém receita pela oscilação dos preços dos valores mobiliários negociados, o analista afirma que a limitação pode reduzir a liquidez dos bancos, o que “como aprendemos na crise, aumenta, e não reduz, os prêmios de risco”.

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A vice-presidente e economista-chefe do BMO, Sherry Cooper, chama atenção para os esforços dos EUA colidindo com reformas em outras partes do mundo. “É difícil saber por onde começar na avaliação dessa desordem”, afirma Cooper, que ressalta, entretanto, que esses assuntos não deveriam assustar tanto os investidores, uma vez que ainda precisam ser aprovados no Congresso.

Sintomas X Causas
O analista do Goldman Sachs alerta para os problemas ainda maiores caso algumas das restrições sejam concretizadas. “Limitar o proprietary trading e nos passivos dos bancos levam ao que vimos como o fator principal de perdas”, destaca Harris.

Ainda sobre essa questão, as reduções poderiam levar a desalavancagem ainda maior, forçando grandes bancos a diminuir os empréstimos, em um momento em que estes já estão 8% menores.

Responsabilidade política
Para a vice-presidente do BMO, o maior risco à recuperação sustentada é a responsabilidade política pela crise financeira e seu impacto no consumo e nos investimentos. “Em nenhum lugar isso é mais evidente do que nos Estados Unidos”, conclui Cooper.

A ideia de cortar gastos do governo é vista como improvável, com o cenário de alto desemprego e economia frágil. De qualquer maneira, Cooper acredita que o que seria economizado pelo corte seria pequeno em comparação ao déficit.

Ela afirma ainda que o maior problema da posição fiscal dos EUA se refere ao custo do sistema de saúde, afirmando que seria mais fácil lidar com o resto caso isso fosse resolvido – o que parece cada vez mais distante.

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Por fim, a vice-presidente destaca que uma recuperação sustentada requere um cenário onde os negócios estejam confiantes para contratar, os bancos confiantes para expandir seus empréstimos e os consumidores tenham renda – e confiem que podem gastá-la.