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A reação dos mercados ao cenário eleitoral de 2026 tem sido guiada menos pela disputa entre nomes da direita e mais pela leitura sobre o rumo da política fiscal no próximo governo. A avaliação é de Victor Scalet, analista de política da XP, em entrevista ao programa Mapa de Risco, do InfoMoney.
Desde o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em outubro, o mercado acompanha um processo contínuo de consolidação do senador nas pesquisas. Esse movimento, que já vinha sendo observado desde dezembro, se repetiu em diferentes levantamentos divulgados nas últimas semanas.

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A última rodada da AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira (20), mostra que, no cenário em que Flávio Bolsonaro divide o campo conservador com Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente Lula (PT) aparece com 48,4% das intenções de voto, enquanto o senador registra 28% e o governador de São Paulo, 11%. Entre eleitores que dizem ter votado em Jair Bolsonaro em 2022, a diferença é clara: 59,2% migram para Flávio, contra 21,1% para Tarcísio.
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Scalet ressalta que, para além das pesquisas, a leitura dos investidores não está centrada na escolha entre Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas. “A grande pergunta do mercado é o fiscal no final. Acho que é menos uma pergunta sobre candidatura, se é Flávio, se é Tarcísio, se é junto, se é separado”, afirmou.
Para ele, o foco está em identificar “qual candidato vai ter maior vontade, maior pretensão de fazer os ajustes necessários” e, sobretudo, “quais candidatos vão ter a condição política, depois de eleitos, de conseguir colocar esse plano em prática”.
Alternância
Na avaliação do analista, o mercado reage de forma mais positiva quando o quadro eleitoral sugere disputa aberta e chance real de alternância de poder. Esse tipo de cenário tende a aliviar os preços de ativos, especialmente na Bolsa, ao alimentar expectativas de mudança na condução fiscal a partir de 2027.
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Scalet pondera, porém, que boa parte do rali recente no Brasil foi influenciada por fatores externos: “Teve um fluxo de dinheiro vindo do exterior que foi bastante relevante para a determinação dos preços de ativos locais”, disse. Segundo ele, esse fluxo ajudou principalmente a Bolsa e o câmbio, enquanto a curva de juros foi beneficiada em menor intensidade.
Ao comparar Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, Scalet avalia que a diferença percebida pelo mercado está menos na agenda econômica e mais na viabilidade eleitoral. “Tem sido menos sobre a diferença de política econômica de Flávio e Tarcísio e mais sobre a diferença de percepção da probabilidade de vitória”, afirmou. Nas conversas com investidores, ainda predomina a leitura de que Tarcísio teria hoje mais chances em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Probabilidade eleitoral
O analista observa que Flávio Bolsonaro vem em trajetória gradual de alta nas pesquisas, enquanto Tarcísio aparece em cenário mais estável. “A gente não sabe onde esse movimento vai parar”, disse. Para Scalet, o mercado ainda tenta calibrar essas probabilidades e entender quem teria mais condições de vencer Lula, visto pelos agentes financeiros como continuidade do atual governo.
“A dúvida ali, no final, é sempre o fiscal”, resumiu. Segundo ele, a questão central segue sendo quem consegue chegar ao Planalto e quem teria maior capacidade de “resolver o fiscal no médio prazo”, fator que segue como principal vetor de risco na precificação dos ativos brasileiros.