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A decisão do governo de elevar o imposto de importação sobre bens de capital e bens de informática e telecomunicações passou relativamente despercebida no debate público, mas acendeu um sinal de alerta importante para investidores e empresários.
A medida, aprovada no âmbito da Camex, deve gerar algo entre R$ 14 bilhões e R$ 17 bilhões adicionais de arrecadação em 2026, segundo estimativas do próprio governo, ajudando a fechar as contas em um ano eleitoral marcado por forte rigidez orçamentária.
No Mapa de Risco, programa de política do Infomoney, dessa sexta-feira (6), a avaliação foi de que o aumento cumpre um papel fiscal imediato, mas transfere custos relevantes para o investimento produtivo.
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“Quando a gente fala de bens de capital, está falando de algo diretamente ligado ao investimento e ao crescimento sustentável do país no médio prazo”, afirmou Bianca Lima, analista de política da XP. “É um insumo essencial para fomentar o investimento e garantir crescimento sem inflação”, disse.
A elevação das alíquotas incide sobre máquinas, equipamentos e tecnologias importadas, afetando diretamente setores como indústria e agronegócio. No agro, o impacto recai sobre máquinas agrícolas, sistemas de irrigação e equipamentos de pós-colheita. Na indústria, atinge cadeias que dependem de insumos importados para agregar valor à produção, justamente em um momento de juros elevados e custo de capital pressionado.
Ajuste fiscal sem impacto direto no IPCA
Segundo a análise apresentada no programa, a escolha dos itens tributados não foi aleatória. O governo precisava cumprir a previsão de arrecadação extra incluída no Orçamento de 2026 e buscou uma alternativa com menor efeito direto sobre a inflação.
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“Esses itens não têm peso relevante no IPCA. Do ponto de vista inflacionário, essa escolha também foi pensada”, afirmou Bianca.
Do ponto de vista fiscal estrito, a leitura dentro do governo é de missão cumprida. “Nas contas preliminares do próprio governo, essa arrecadação chega até um pouco acima do que era necessário para fechar o orçamento”, disse a analista, ao destacar que a rubrica prevista na lei orçamentária foi atendida.
Custo aparece no médio prazo
O principal risco, no entanto, está nos efeitos defasados da decisão. Ao encarecer bens de capital, o governo pressiona o investimento justamente em áreas estratégicas para elevar produtividade e crescimento potencial.
“O ônus disso é que você encarece um item essencial para o investimento. Essa fatura vai ser cobrada lá na frente”, avaliou Bianca.
O discurso oficial sustenta que a medida tem caráter de defesa comercial, diante do aumento acelerado das importações, especialmente da China, e da ampliação do déficit comercial nesses segmentos. Para empresários, porém, o movimento reduz competitividade e adiciona incerteza ao ambiente de negócios.
A leitura final foi de que o aumento do imposto de importação ajuda a reduzir o risco fiscal no curto prazo, mas amplia o risco econômico no médio.
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Para o investidor, a decisão sinaliza uma estratégia que prioriza o fechamento das contas em 2026, mesmo ao custo de pressionar o investimento e o crescimento a partir de 2027, independentemente de quem estiver no comando do Planalto.
O Mapa de Risco, novo programa de política do Infomoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no Youtube e no seu tocador de podcast preferido.