Aliança entre Kassab e Haddad desagrada PT, mas pode destronar PSDB paulista

Análise é feita pela MCM Consultores, que mostra ser exatamente este o argumento do ex-presidente Lula para o acordo

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SÃO PAULO – A notícia de que Gilberto Kassab, atual prefeito de São Paulo, estaria negociando uma associação com o PT (Partido dos Trabalhadores) para lançar uma candidatura conjunta nas eleições municipais deste ano, caiu como uma bomba entre os petistas, analisa a MCM Consultores.

O articulador do PSD (Partido Social Democrático) quer apoiar Fernando Haddad para o pleito, com a condição de que o vice da chapa seja alguém de sua legenda. Os vereadores paulistanos do PT, no entanto, que foram a oposição durante os últimos dois mandatos, estariam condenando a possível aliança.

Haddad seria o nome de peso escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que articulou essa associação – para bater a liderança que tucanos, democratas e agora o PSD conquistaram em São Paulo. O ministro da Educação espera ganhar exatamente em cima dos erros do atual prefeito, Kassab.

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Apoio tem um peso grande
Segundo a MCM, mesmo que não haja em cima de quem capitalizar durante a campanha, o PT pode se beneficiar da incrível base aliada sob o comando do atual prefeito. A grande maioria do legislativo paulistano está ao lado do líder do PSD, bem como toda burocracia da prefeitura montada pelo político. Esse apoio, segundo os consultores, poderia trazer até a vitória em primeiro turno para Haddad.

Mesmo assim, o embate ideológico entre os dois partidos ainda causa muita resistência. O principal argumento que alguns comandantes do PT, entre eles o próprio Lula, devem usar é o de que, ao vencer o PSDB (Partido da Social Democracia Brasielira) na capital, seria mais fácil tirá-los do governo do estado. Desde 1º de janeiro de 1995, quando Mário Covas chegou ao poder, só tucanos ficaram à frente de São Paulo – são 17 anos.

Kassab dos dois lados
Enquanto negocia com o PT, Gilberto Kassab também já apresentou sua proposta ao PSDB. A consultoria lembra que uma das principais ofertas do ex-DEM seria indicar Guilherme Afif, atual vice-governador, para concorrer à prefeitura, com o apoio dos tucanos. O problema é que Geraldo Alckmin, que governa o estado, não apoia esse cenário, nem mesmo se Kassab apoiá-lo para uma reeleição em 2014, sendo vice na chapa.

O impasse, de acordo com a MCM, seria a possibilidade de a mente por detrás do PSD se tornar governador nas eleições de 2018. Isso porque, a proposta se concretizando, Alckmin teria de concorrer a outro cargo daqui a seis anos, seja o de senador, ou até à Presidência – já perdida por ele em 2006, para Lula. A chance, assim, de o novo partido estar no controle tanto da capital como do governo paulista, seria bem grande.

A saída para o PSDB seria lançar um candidato próprio. Os nomes disputando esse espaço são Bruno Covas, André Matarazzo, Ricardo Tripoli e José Anibal. Mas a única chance, na visão da consultoria, de esse impasse ser solucionado, seria a volta de José Serra, o que uniria PSDB e PSD. “(Serra) sabe que, ganhe ou perca, ficará mais distante do seu objetivo de concorrer mais uma vez à Presidência”, pondera a MCM. 

Alguns até aventam a possibilidade de o nome do vice de Alckmin ser Gabriel Chalita, do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), seu ex-secretário da Educação. De qualquer jeito, os consultores veem Haddad positivamente, já que é o único candidato competitivo que já está definido.

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