Análise

Aliança Alckmin-Meirelles volta ao banco de apostas: quais são as chances de se confirmar?

Candidatura única seria importante para o sucesso da centro-direita nas eleições, mas há uma série de obstáculos para consolidação de aliança

SÃO PAULO – A combinação do possível ingresso do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa à corrida eleitoral, do desempenho insatisfatório das candidaturas da centro-direita até o momento nas pesquisas de intenção de voto e o persistente risco de fragmentação do processo fazem com que voltem a ganhar força as especulações sobre uma aproximação entre o presidente Michel Temer e o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto.

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Conforme noticiou o jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira (26), o emedebista e o tucano negociam um acordo que reunifique o centro pró-reformas econômicas. Segundo a reportagem, a proposta apresentada pelo Planalto consiste em uma chapa presidencial encabeçada por Alckmin, com o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles ocupando a vice. O acordo, contudo, enfrenta múltiplos obstáculos.

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A consolidação de uma candidatura única na centro-direita é apontada como uma importante conquista a esse espectro político na corrida eleitoral. Na avaliação do cientista político Rafael Cortes, da Tendências Consultoria, a fragmentação é hoje um dos principais fatores de risco à condução de uma agenda de reformas econômicas no próximo mandato, uma vez que reduz as chances de um candidato com vontade e força política para tal ir ao segundo turno.

Com a aliança, Alckmin contaria com maior estrutura partidária, capilaridade pelo país, maior possibilidade de palanques e, principalmente, tempo de televisão. Em contrapartida, contudo, Temer exige que o tucano incorpore a seu discurso de campanha a defesa de seus programas de governo. Aliados de Alckmin, contudo, resistem à ideia, em função da toxicidade do atual presidente, fonte de inéditos índices de rejeição. O ônus pode ser maior do que os bônus da aliança. Outro obstáculo seria a resistência do próprio Meirelles a deixar a pré-candidatura para ser vice.

De acordo com reportagem do site Poder360, aliados de Temer apostam que Alckmin continuará patinando nas pesquisas, o que elevaria a cobiça tucana ao MDB, inclusive com a possibilidade de substituição da pré-candidatura. Neste caso, o sonho emedebista seria uma chapa encabeçada pelo ex-prefeito de São Paulo João Doria. Isso também abriria espaço para a candidatura de Paulo Skaf ao governo paulista. Por outro lado, tucanos acreditam que, com o passar do tempo, o Planalto abrirá mão de apoiar uma candidatura que defenda o legado do governo Temer.

Apesar de faltarem menos de seis meses para o primeiro turno, as eleições ainda estão distantes no tempo da política. A pressão sobre Alckmin, que não deverá apresentar crescimento significativo nas pesquisas até o período de campanha começar, deve crescer. Mesmo assim, neste momento, os obstáculos para uma aliança com tais exigências parece muito distante.

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