Nova ameaça?

Aliados de Temer fazem nova ameaça ao governo – mas equipe econômica vê “bravata”

Muitos parlamentares defenderam um déficit maior para acomodar gastos antes das eleições de 2018 - contudo, agora querem criar dificuldades para conseguir mais espaço no governo

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SÃO PAULO – O presidente Michel Temer tem no radar mais uma dificuldade: a aprovar no Congresso o aumento do déficit nos Orçamentos de 2017 e 2018 para R$ 159 bilhões e os mais de R$ 30 bilhões de expansão de receitas e corte de gastos propostos no pacote divulgados na última terça-feira (15). 

Conforme destaca o jornal Folha de S. Paulo, o governo tem contra si a insatisfação dos aliados na CMO (Comissão Mista de Orçamento), onde começa a tramitar a proposta de revisão da meta. De acordo com o jornal, os deputados da Comissão disseram ao jornal estar descontentes com uma série de vetos de Temer à LDO ( Lei de Diretrizes Orçamentárias), aprovada em julho, como investimentos no Plano Nacional de Educação ou em obras inacabadas. 

“Um governo arrogante e prepotente é sinônimo de governo fracassado. A ideia não é retaliar. Mas não há como negar que esta atitude insensível, para não dizer irresponsável do governo, criou conflito desnecessário”, disse o senador Dário Berger (PMDB-SC), presidente da CMO.

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Muitos parlamentares defenderam um déficit maior para acomodar gastos antes das eleições de 2018 – contudo, agora querem criar dificuldades para conseguir mais espaço no governo. Assim, aliados dizem que Temer pagará um preço alto, visto que gastou todo o seu capital político para barrar a denúncia de corrupção contra ele na Câmara. Agora, ficou sem espaço para oferecer mais aos parlamentares que buscam cargos e verbas para seus redutos eleitorais. Já a equipe econômica quer endurecer o discurso com o Congresso e dirá que, sem a expansão do deficit, serviços serão cortados, e emendas parlamentares, congeladas. Segundo o jornal, Fazenda e Planejamento tratam a ameaça de travar a alteração da meta fiscal como bravata e dizem ter certeza de que ela será aprovada, pois os parlamentares não gostariam de arcar com o ônus de paralisar o governo.