Aliados de Tarcísio veem jogo ainda aberto na sucessão bolsonarista, dizem analistas

Possível candidatura do governador de São Paulo ao Planalto foi tema do programa de estreia do Mapa de Risco

Caio César Marina Verenicz

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A movimentação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), segue sendo acompanhada de perto por aliados e analistas políticos, mesmo após a sinalização pública de apoio de Jair Bolsonaro à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A avaliação discutida durante o episódio de estreia do Mapa de Risco, boletim semanal de política do InfoMoney, é de que o jogo ainda não está completamente encerrado dentro do campo da direita.

O programa de estreia foi ao ar nesta sexta-feira (16) e contou com a presença dos analistas de política da XP, Paulo Gama e Bárbara Baião.

Segundo Gama, há uma expectativa, entre aqueles que ainda trabalham nos bastidores por uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio, de que mudanças no cenário jurídico do ex-presidente possam reabrir espaço para novas articulações.

A leitura é que um eventual relaxamento das condições impostas a Jair Bolsonaro poderia recolocar outros interlocutores em contato direto com ele, ampliando o fluxo de informações, argumentos e avaliações políticas.

“Com o regime fechado do ex-presidente, Flávio passa a ser praticamente o único interlocutor político de Jair Bolsonaro. Há uma expectativa de que um eventual relaxamento do regime prisional possa trazer de volta à mesa outros interlocutores, que podem passar visões diferentes”, disse Paulo Gama. “Me parece que é essa a aposta de Tarcísio. A percepção de quem trabalha pela candidatura presidencial do governador é que trazer novas opiniões, novas visões a Bolsonaro possa influenciá-lo”.

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Os analistas destacaram que essa possibilidade ajuda a explicar por que aliados de Tarcísio evitam tratar sua saída do jogo presidencial como definitiva. Apesar do discurso público do governador, focado na reeleição em São Paulo, o entendimento é de que o ambiente político segue fluido e altamente dependente de fatores externos, sobretudo ligados à situação de Bolsonaro.

“É importante observar até onde vai Tarcísio nessas sinalizações que temos visto, de que ainda pretende buscar essa bênção do Bolsonaro. E ele sempre foi um grande trunfo nesse sentido. Ele é lido como um Bolsonaro moderado, ou um aliado do ex-presidente, mas que tem tons de moderação, que é mais ao centro”, afirmou Bárbara Baião.

Ao mesmo tempo, os analistas ressaltam que qualquer movimento de Tarcísio em direção a uma candidatura nacional enfrentaria resistências internas no bolsonarismo. Gestos interpretados como ambíguos ou desalinhados da decisão já anunciada por Bolsonaro tendem a ser lidos como sinais de deslealdade, o que dificulta a construção de uma alternativa consensual no campo da direita.

“Existe um histórico de todos os ex-apoiadores do Bolsonaro, que o deixaram pelo caminho, terem sofrido muito a ‘peste do traidor’. O Tarcísio evidentemente não cruza ainda essa linha, mas já vemos, a partir de mensagens, curtidas, respostas, um movimento vindo de Eduardo, Carlos, numa direção de criticá-lo”, disse Paulo Gama.

Mapa de Risco é o novo programa de política do InfoMoney. Toda semana, a repórter Marina Verenicz recebe um time de especialistas para discutir o que realmente importa na política e seus impactos nos mercados e nos investimentos.