Perspectivas

Além da prisão de Lula: 6 eventos que vão agitar o mercado na próxima semana

Tudo que você precisa saber para se preparar para operar na próxima semana

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SÃO PAULO – Enquanto no Brasil os olhos ficaram todos voltados para a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no resto do mundo foi o presidente Donald Trump que causou grande tensão nos investidores. E para a próxima semana, dos dois devem continuar como foco do radar do mercado, mas a agenda de indicadores também ganha atenção especial, com dados importantes no campo doméstico e externo.

Com Lula se entregando, sendo preso ou não, o noticiário político será de atenção para eventos que podem até favorece o ex-presidente, em especial o julgamento de uma liminar que foi parar nas mãos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, que já afirmou que pode pautar o tema na próxima quarta-feira (11). O pedido seria para revisar a decisão colegiada de 2016 que autoriza a prisão em segunda instância.

Ainda na política, com o atual cenário, Lula já passa a ser considerado carta fora do baralho para as eleições, o que deve levar o mercado a se concentrar nos movimentos dos pré-candidatos, atento aos sinais de quem herdará os votos abundantes do petista. Geraldo Alckmin, por ora o nome de centro melhor posicionado, ainda não deslanchou nas pesquisas.

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À esquerda, Ciro Gomes se destaca nas pesquisas e maior dúvida passa a ser em quem será o plano B do PT. Restam ainda os nomes tidos como “quase reformistas”, como Jair Bolsonaro, Marina Silva e Joaquim Barbosa, sobre os quais há muitas dúvidas em relação às suas respectivas ideias econômicas.

Indicadores econômicos

No Brasil, a agenda da próxima semana reserva, entre os principais dados, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março, na terça-feira (10) às 9h (horário de Brasília), que segundo a GO Associados deve subir 0,13%, com o acumulado em 12 meses ficando em 2,72%.

“A inflação de março deve mostrar ausência de pressões relevantes”, explicam os analistas, citando os dados de alimentos com uma ligeira deflação, assim como os transportes. “Em suma, o IPCA de março continuará mostrando um cenário inflacionário confortável em 2018”, conclui a GO Associados.

Na quinta-feira (12), também às 9h, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio de fevereiro, com expectativa de alta de 0,9% no conceito restrito (não inclui automóveis e materiais de construção) e de 0,7% no ampliado, em relação ao mês de janeiro. “O resultado do varejo deve manter a percepção de recuperação gradual da economia, amparado na melhora das condições de consumo das famílias”, afirmam os analistas da GO.

No exteiror, atenção especial para a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que teve mais um capítulo nesta sexta-feira e derrubou os mercados. O tema tem gerado volatilidade e vai seguir no radar na próxima semana. A China prometeu combater as tarifas do Trump “até o fim”. A declaração de Pequim veio depois que Trump ordenou a seu governo que considerasse as tarifas sobre um adicional de US$ 100 bi em bens chineses na quinta-feira.

Na agenda de indicadores, nos EUA, os dados de inflação ao produtor dia 10) e ao consumidor, dia 11, e a divulgação da ata do Fomc, também na quarta-feira, são os principais eventos da semana.

“Todos os indicadores têm a função de auxiliar o mercado a calibrar as perspectivas para a dinâmica recente da inflação no país e o ritmo de altas de juros pelo Fomc ao longo do ano”, explica a GO Associados. Por ora, sinais de que a inflação americana ainda não está pressionada excessivamente pelo crescimento econômico têm evitado apostas em altas mais drásticas dos juros do Fed.

Na China, além de potenciais retaliações às tarifas de Trump, saem CPI, PPI e balança comercial. Na Europa, Draghi fala no dia 11, mesmo dia em que Kuroda, do Banco Central do Japão, também faz discurso.

Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.