O discurso de Temer

Além da economia: Temer usa discurso para dar recado a manifestantes e afirmar que “não é frágil”

Em um discurso exaltado, presidente em exercício afirmou que, se o seu governo cometer equívocos, eles serão revistos e que ele poderá voltar atrás nas medidas

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SÃO PAULO – Além das medidas econômicas, o presidente interino Michel Temer utilizou o seu discurso na manhã desta terça-feira para fazer algumas considerações e até mesmo “desabafos”. 

Em um discurso exaltado, Temer afirmou que, se o seu governo cometer equívocos, eles serão revistos e que ele poderá voltar atrás nas medidas. Não temos compromisso com equívoco. “Portanto, quando houver algum equívoco governamental, nós reveremos este fato”, afirmou.

E continuou: “eu ouvi que o ‘Temer está muito frágil, coitadinho, não sabe governar’. Conversa. Eu fui secretário da Segurança Pública duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos. Então, eu sei o que fazer no governo e saberei como conduzir. Quando eu perceber que há um equívoco, se o fizer, consertá-lo-ei”.

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A fala foi dada ao argumentar que ele sabe conduzir um governo e que, se fosse necessário, iria voltar atrás sempre que um erro fosse identificado. Porém, contudo, também foi uma demonstração de indignação com protestos feitos na porta da sua casa, em São Paulo, e que teriam assustados sua esposa, Marcela, e seu filho, Michel. 

De acordo com assessores do presidente em exercício ouvidos pelo Estadão, Temer está particularmente irritado com o que ocorreu porque “mexer com a família é inadmissível”. “Quer fazer protesto, vem aqui para a porta do Jaburu (residência oficial de Temer) e não para a porta da minha casa, onde está minha família. Isso não é possível”, disse Temer. 

Em seu discurso, Temer afirmou: “temos sido vítimas de agressões”. Ele destacou que “aqueles que quiserem esbravejar, façam-no quando quiser, mas pela via legal e democrática”. Depois, Temer defendeu a “pacificação do País” e reagiu às acusações de que seu governo seja fraco. “As pessoas têm mania de achar que quem está no governo não pode voltar atrás. Nós somos como JK (ex-presidente Juscelino Kubitschek).” afirmou.

Temer ainda fez questão de afirmar que o governo dele “é do diálogo” e, desta forma, antes de anunciar as medidas econômicas ou encaminhá-las ao Congresso, chamou os parlamentares ao Palácio do Planalto. 

Por fim, sem citar diretamente a Lava Jato, Temer afirmou que o governo não iria impedir as investigações. “Por mais que digam que há um esquema para impedir as investigações, o governo vai sempre incentivá-las. Não queremos isso, não (barrar as investigações). Ninguém quer”, afirmou. Ele ainda destacou que, se conseguir entregar “um país com eleições tranquilas”, terá cumprido a sua missão. 


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