Alcolumbre busca apoio de senadores eleitos para manter presidência da Casa

Oposição quer eleger um nome mais alinhado à pauta de afastamento de ministros do Supremo

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem procurado senadores eleitos pela primeira vez para a Casa em uma tentativa de construir apoio à sua reeleição a partir de 2027. O parlamentar também tem telefonado para parabenizar os reeleitos e buscado interlocutores de diferentes partidos. Segundo senadores, os contatos servem para sondar possíveis aliados e se antecipar à disputa pelo comando da Casa. Procurado, Alcolumbre não se manifestou. 

A ofensiva ocorre em meio ao fortalecimento da oposição, especialmente do PL, que terá 28 senadores e pretende eleger um presidente mais alinhado às suas posições, de preferência um integrante do próprio partido. O grupo critica a resistência de Alcolumbre em dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e quer um nome disposto a avançar nessa pauta.

Apesar da expectativa de mudança no comando do Senado, parlamentares avaliam que não se deve subestimar a capacidade de articulação de Alcolumbre. Eles lembram que o senador chegou à Presidência da Casa ainda em seu primeiro mandato, conseguiu eleger seu sucessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e posteriormente retomou o posto.

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Das 54 cadeiras em disputa na eleição deste ano, 40 terão novos ocupantes a partir de 2027. Dos 32 senadores que tentaram a reeleição, apenas 14 conseguiram permanecer na Casa. Entre os nomes que chegam ao Senado após passarem pela Câmara estão Bia Kicis (PL-DF), Carol de Toni (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS), parlamentares ligados à oposição que devem reforçar a pressão por uma atuação mais incisiva contra ministros do Supremo.

Os contatos de Alcolumbre têm privilegiado integrantes do centro e da esquerda. A avaliação entre interlocutores do presidente do Senado é que há pouco espaço para conquistar o apoio de nomes mais identificados com o bolsonarismo, que defendem uma mudança no comando da Casa.

Embora a reeleição costume favorecer quem já ocupa a Presidência do Senado, aliados de Alcolumbre reconhecem que a renovação da Casa e o crescimento da oposição podem dificultar sua permanência no cargo. Por outro lado, avaliam que uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial poderia fortalecer sua candidatura, com o apoio do PT e de partidos da base governista.

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Impeachment no centro da disputa

Uma das principais críticas da oposição a Alcolumbre é a resistência em dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF. Como cabe ao presidente do Senado decidir se dá prosseguimento a essas denúncias, a escolha do próximo comandante da Casa é considerada estratégica por parlamentares que defendem o afastamento de integrantes da Corte.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), é um dos principais nomes colocados na disputa. Ele já manifestou interesse em presidir o Senado e é visto por integrantes da oposição como alguém disposto a avançar com pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

Outra possível candidata é Tereza Cristina (PP-MS), que também já manifestou interesse no cargo e tem buscado fortalecer seu nome nos bastidores.

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A eleição presidencial também pode influenciar as articulações. Segundo aliados, Alcolumbre já sinalizou a interlocutores que, mesmo em caso de vitória de Flávio no segundo turno, não pretende dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do STF ainda neste ano. A posição contraria a expectativa de setores da oposição que defendem o avanço da pauta antes mesmo do início da próxima legislatura.