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CIDADE DO MÉXICO – O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, negou nesta quinta-feira (28) que Brasil e México estejam discutindo um acordo de livre comércio.
A declaração veio após reportagens indicarem que a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e o secretário de Economia, Marcelo Ebrard, teriam descartado publicamente essa possibilidade durante a visita da comitiva brasileira à Cidade do México.

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Segundo fontes do governo brasileiro que acompanharam os encontros bilaterais, o tema sequer foi colocado na mesa — e o impasse decorre de uma má interpretação da fala de Sheinbaum à imprensa.
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Ao ser questionada sobre a possibilidade de um tratado de livre comércio, a presidente respondeu que seu governo não está considerando esse tipo de acordo no momento, mas sim uma “colaboração econômica”.
“Em nenhum momento se pensou em ter livre comércio. Isso nós temos no Mercosul”, afirmou Alckmin. Segundo o vice-presidente, o foco das negociações com o México é a atualização e ampliação do Acordo de Comércio e Investimento, firmado há mais de 20 anos.
“Foi feito um entendimento e há um cronograma: começa agora em agosto e vai até julho de 2026. Esperamos concluir as negociações e assinar o novo acordo em setembro de 2026”, disse.
O objetivo da agenda bilateral é modernizar as cláusulas comerciais existentes, incorporando temas como rastreabilidade agropecuária, barreiras sanitárias, integração regulatória e investimentos cruzados — especialmente em áreas como agro, saúde, energia e tecnologia.
Alckmin destacou que o acordo atual está defasado e que o novo ciclo de negociações pode gerar ganhos expressivos em competitividade. “Nada impede que etapas do acordo possam ser antecipadas”, reforçou o vice-presidente.
México é 6º destino das exportações brasileiras
A declaração de Alckmin veio acompanhada de dados otimistas sobre o desempenho do comércio bilateral. “Nossa meta de comércio é o máximo que puder. Em julho, exportamos para o México US$ 805,3 milhões — um crescimento de 29,6% em relação ao mesmo mês de 2024”, afirmou.
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O México já é o sexto maior destino das exportações brasileiras e o sétimo parceiro na corrente de comércio total. A aproximação ganhou novo impulso com a recente missão oficial liderada por Alckmin, que reuniu mais de 100 empresários brasileiros no país vizinho.