Agnelli declara estar alheio a questões políticas relativas ao comando da Vale

Presidente da Vale declarou que continua a trabalhar e que escolha do presidente compete "exclusivamente" a controladores

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SÃO PAULO – Em nota enviada nesta sexta-feira (25), Roger Agnelli, presidente da Vale (VALE3, VALE5), declarou que não tem qualquer envolvimento com questões políticas que envolvam a escolha do diretor-presidente da mineradora, e que a decisão compete “exclusivamente aos acionistas controladores da empresa. O que tenho feito nos últimos dias é o mesmo que fiz ao longo de toda a minha carreira: trabalhar”, afirmou o executivo. 

A pressão sobre Agnelli cresceu nos últimos dias, após reportagem do jornal O Estado de S.Paulo ter afirmado que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, encontrou-se com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco (BBDC4), Lázaro Brandão, para discutir a sucessão no comando da companhia. 

De acordo com os relatos, o governo prefere que a presidência da Vale seja ocupada por alguém mais alinhado ao Planalto, com foco em projetos voltados para o Brasil. Para tanto, Mantega procurou Brandão, já que o Bradesco, por meio de seu braço de participações, a Bradespar (BRAP4), é um dos principais acionistas da mineradora. 

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Embora seja uma empresa privada de capital aberto, o governo manteve sua influência na companhia após a privatização por meio de participações via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e pelos fundos de pensão de funcionários estatais, como a Previ, do Banco do Brasil (BBAS3). 

Resposta
A especulação em torno de quem viria a ocupar o comando da empresa ganhou força nos últimos dias, assim como relatos de que Agnelli estaria tentando blindar sua posição. Por causa disso, o executivo teria procurado o Ricardo Flores, presidente do fundo de pensão, para buscar apoio. Nesta sexta-feira, notícia do Estado de S.Paulo afirmou que a Vale deve anunciar sua entrada no projeto da hidrelétrica de Belo Monte como autoprodutora, com 9% do empreendimento, o que também seria uma espécie de resposta de Agnelli às pressões que vêm sofrendo do governo, segundo o jornal.

Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou um convite ao ministro da Fazenda para “esclarecimentos quanto a eventual interferência do Governo na Vale ”.