Agitação política pode levar Itália ao centro da crise do euro

Primeiro-ministro italiano pode deixar cargo após a aprovação do orçamento para o próximo ano

Reuters

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MILÃO – A perspectiva de uma crise política na Itália mais cedo do que o esperado –após o primeiro-ministro, Mario Monti, dizer que pretende renunciar antecipadamente– pode elevar os custos de financiamento do governo e as tensões na zona do euro depois de meses de calmaria no mercado de dívida.

O surpreendente anúncio de Monti no último sábado (8) de que ele pretende deixar o cargo após a aprovação do orçamento para o próximo ano levantou a possibilidade de uma eleição em fevereiro, semanas antes do fim de seu mandato em abril, e intensificou a incerteza sobre quem vai sucedê-lo.

Profissionais do mercado financeiro e analistas dizem que o maior risco político é que o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi possa fazer uso de um crescente desencantamento com as reformas estruturais defendidas por Monti para arquitetar seu retorno.

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“O principal temor em meio a investidores não são as eleições antecipadas, mas o resultado dessa possível disputa eleitoral”, disse o chefe de práticas europeias da empresa de pesquisa em risco político global Eurasia Group, Wolfango Piccoli.

“Provavelmente surgirá um parlamento fragmentado, levando à criação de um governo de coalizão remendado cuja capacidade de implementar as reformas estruturais necessárias será severamente limitada”, acrescentou.

Berlusconi, que retirou seu apoio ao governo na semana passada, desencadeando a crise, já anunciou que vai disputar a eleição com base numa plataforma atacando as medidas de austeridade de Monti, que ele acusou de derrubar a Itália em uma espiral recessiva.

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“Os mercados certamente não vão gostar da mais recente manobra de Berlusconi”, disse um autoridade sênior dos mercados financeiros sob condição de anonimato. “O retorno de Berlusconi seria um desastre para as finanças da Itália e para a economia real”.

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