Política

“Agenda Cunha” será o maior risco para Temer se impeachment passar

"Não podemos dar [o impeachment] como certo, dado o quadro bastante turbulento, mas é pouco provável que o governo consiga reverter esse isolamento", avalia Rafael Cortez, da Tendências Consultoria

SÃO PAULO – Embora não dê para desprezar o risco, a probabilidade de o governo conseguir reverter o isolamento político é baixa, principalmente se Dilma for afastada e o vice Michel Temer assumir o comando do País, avalia a Tendências Consultoria, que tem como cenário-base o governo Temer até 2018. Nesse cenário, ele acredita que uma janela de oportunidade se abriria com capacidade de reverter a crise de confiança dos agentes econômicos, mas alguns pontos devem ser levados em consideração. 

O problema não será a falta de partidos se alinhando para dar suporte à recuperação da economia, mas a agenda que contempla a redução dos gastos públicos e menos repasses para obras em ano de eleição, avalia Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, em webcast nesta segunda-feira sobre “Condicionantes do impeachment e desafios de um governo Temer”. Isso, se a Lava Jato continuar atuando sobre um governo sem a legitimidade do voto, pode limitar a execução de uma agenda reformista.

Apesar da baixa probabilidade, ele acredita que não pode-se considerar o impeachment como certo, dado o quadro bastante turbulento: “é pouco provável que o governo consiga reverter esse isolamento, principalmente após Temer assumir o comando, passando a ter o poder de caneta nas mãos e podendo até influenciar a votação no Senado”

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Para ele, o PT deverá fazer barulho se sair do governo, mas “quando olha-se para o número de votos que eles conseguiram na votação, eles não são suficientes para gerar veto se, de fato, Temer assumir”, avalia. 

Cortez acredita que o principal risco para Temer não virá do PT, mas sim do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. “O principal risco para Temer será como ele vai cuidar da ‘Agenda Cunha’, nome que traz muitas rejeições. Se houver resposta da sociedade, barulho, naturalmente, você tem restrição do que Temer pode fazer. Essa associação da questão da corrupção pode ser um problema de governabilidade de sua administração”, pontuou. 

Para ele, é baixa a probabilidade de chapa Dilma-Temer ser cassada. “A força institucional para isso tem que ser muito grande. Esse custo é muito alto nesse atual cenário, se tornando ainda maior se for a partir de 2017”. Segundo Cortez, a cassação da chapa poderia entrar em questão se for para pauta eleições gerais, com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se aproveitando dessa janela. 

Cortez acredita que, se Dilma ficar, o efeito será bastante negativo, dado que os custos em atacar os pontos da agenda econômica ficaria muito mais elevado. “Se governo vencer, a tendência será buscar um diálogo para estabelecer acordo com os demais agentes da base aliada, mas não tem nenhum motivo para a oposição cooperar com o governo”, disse. 

Ele avalia, nesse cenário, que a oposição deve deixar “sangrar o PT, que iria perdendo força”. Nesse ambiente, a agenda econômica andaria de forma muito secundária, levando a desvalorização do câmbio para patamar bastante significativo. “Não teríamos uma vida fácil com o governo Dilma, por conta desse quadro de polarização que foi construído nos últimos anos”, conclui.

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