Afinal, há opção mais segura que os Treasuries? Economista garante que não

Deterioração fiscal é inegável mas não há porto mais seguro no mercado; S&P coloca credibilidade em xeque

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SÃO PAULO – O corte de rating dos EUA realizado pela Standard & Poor’s na última sexta-feira (5) pode ter dado início à uma quebra de paradigma no mercado financeiro internacional.

Neste exato momento, gestores de fundos de investimento de todo o planeta estão debruçados sobre um cenário extremamente delicado: onde aplicar recursos com segurança se nem mais os EUA representam um porto seguro?

Muitos fundos de investimentos, inclusive fundos soberanos de peso, têm expresso em seu regulamento a necessidade de aplicação de recursos em títulos com nota máxima de crédito, ou seja, históricamente, grande parte de seus recursos tem sido destinados às treasuries (títulos da dívida pública norte-americana).

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Porém, a decisão da S&P pode transformar completamente esse cenário. Como a dívida dos EUA não é mais classificada como AAA, esse recursos terão necessariamente que encontrar outro destino condizente com a política de segurança dos fundos, como Alemanha, França e Cingapura.

EUA: ainda não há opção mais segura
Contudo, o economista Antônio César Amarante, da Senso Corretora, explica que dificilmente isso será possível, uma vez que não há mercado no mundo com liquidez e volume suficiente para atender uma debandada de recursos das treasuries. 

Assustados, investidores começam a desmontar posições em quase todas as modalidades de investimentos para aguardar uma definição. Ou seja, “tem investidores deixando dinheiro parado no banco”, diz Amarante, além dos investimentos em ouro e moedas símbolo de liquidez como o franco suíço.

Adaptações
Como consequência, o economista acredita que no futuro próximo os fundos de investimento que buscam segurança máxima devem começar a rever suas normas quanto à consideração de ratings para voltar a incorporar as treasuries em suas carteiras.

Em linhas gerais, a deterioração fiscal dos EUA é inegável e visível para todos, porém, mesmo assim o país ainda é indiscutivelmente o maior porto seguro do planeta, pois um eventual calote da maior economia representaria um baque de proporções catastróficas para todas as demais. Além disso, o país é o que menos está exposto ao risco, pois paga seus compromissos com dinheiro de sua própria emissão, o dólar, ativo mais líquido no mercado internacional.

Credibilidade em risco
Seguindo essa linha de raciocínio, Amarante acredita que a S&P deu mais um passo na direção da perda de credibilidade. Para ele, as agências de risco já haviam falhado durante a crise de 2008 por terem hesitado em alertar o mercado sobre a deterioração financeira de instituições como o Lehman Brothers, que foi a falência tendo nota de crédito AAA.

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Porém, dessa vez a agência quis adiantar-se e o resultado dessa decisão precipitada poderá ser o descrédito da própria agência, uma vez que, investidores devem manter sua percepção de que os EUA, mesmo combalidos, ainda são o porto seguro do mercado financeiro e adaptar suas estratégias de investimento à essa percepção, independentemente da nota de rating e prejudicando diretamente a credibilidade das notas definidas pela S&P.