Política

Aécio “repete” Lula ao citar Raul Seixas e diz não ver Campos como adversário

"Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo", afirmou em defesa ao fim da reeleição, implementado durante governo FHC

SÃO PAULO – Provável candidato à presidência da república pelo PSDB, senador mineiro Aécio Neves fez duras críticas ao governo petista e reforçou as semelhanças de visões políticas com um de seus possíveis adversários na corrida das urnas, o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), durante o Fórum Empresarial de Comandatuba (BA), nesta sexta-feira (2).

“Não vejo como, a partir de 2015, não estarmos eu, (Eduardo) Campos e Marina (Silva) no mesmo projeto de País”, afirmou Aécio durante o evento, segundo reportaram veículos da imprensa nacional. O líder tucano defendeu elementos importantes da reforma política, como o voto distrital e o fim da reeleição, além da ampliação dos mandatos para cinco anos.

Sobre o fim do duplo mandato, implementado por seu companheiro de partido – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso -, o presidenciável brincou ao lembrar de uma frase de Raul Seixas, usada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007: “vou parodiar o presidente Lula e dizer que prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

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No encontro realizado na Bahia, o tucano voltou a usar o termo “herança maldita” para referir-se ao legado de inflação em escalada, crescimento econômico em declínio e política fiscal ineficaz, que, segundo ele, serão adversidades que o próximo presidente terá de enfrentar durante seu mandato. As mudanças nos pilares macroeconômicos adotada por Lula sobretudo em seu segundo mandato também foram refutados pelo senador.

Ao mesmo tempo, Aécio reconheceu a eficácia de programas de transferência de renda implementados durante a gestão do petista e enalteceu a importância de tais políticas para o País. “Não podemos dividir o Brasil ente nós e eles”, argumentou.

Por fim, o tucano argumentou contra a elevada carga tributária brasileira e o excesso de intervencionismo na economia por parte do governo – fator que também tem incomodado boa parte dos investidores do mercado financeiro -, voltando a levantar a bandeira do liberalismo. “Quem melhora a vida de cada um é a própria pessoa, Estado tem de ser apenas parceiro, restabelecendo a confiança e a esperança”, alfinetou Aécio.