Após a entrevista

Aécio rebate que quem faz discurso golpista é o PT; petistas comemoram fala de Dilma

PT e oposição comentaram a entrevista da presidente Dilma para a Folha, na qual ela desafiou os oposicionistas a encontrarem motivos para o seu impeachment

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff (PT) deu uma entrevista para a Folha de S. Paulo na qual disse que não irá sofrer impeachment e desafiou aqueles que pedem a sua saída a tentar tirá-la do Planalto. “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso aí é moleza, é luta política”, disse a presidente. Para os petistas, a resposta de Dilma foi satisfatória. 

Segundo informações do Estado de S. Paulo, o vice-presidente do partido e responsável pela estratégia em redes sociais, Alberto Cantalice, disse que gostou do tom da fala. “Ela está indignada porque vem sendo desrespeitada seguidamente por opositores. Chega um momento em que tem que dar uma resposta”, avalia Cantalice, que já adianta que o partido trabalhará para repercutir a resposta de Dilma. 

Na mesma linha foi o deputado estadual Raul Pont (PT-RS), que elogiou o discurso mas lamentou que a subida do tom não tenha sido acompanhada por uma imposição do governo frente ao PMDB, qualificando como esquizofrência a relação do principal partido da base aliada com o PT. 

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De outro lado, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que, para o PT, tudo o que contraria os interesses do partido é golpe. “Na verdade, o discurso golpista é o do PT, que não reconhece os instrumentos de fiscalização e de representação da sociedade em uma democracia. “Para o PT, se o TCU identifica ilegalidades e crime de responsabilidade nas manobras fiscais autorizadas pela presidente da República, trata-se de golpe”, disse Aécio, em nota.

Ele disse que o discurso da presidente faz parte de uma estratégia para inibir as instituições e a imprensa brasileira, em um momento em que pesam denúncias sobre o PT.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que a presidente foi “infeliz” ao criticar a oposição e que “os fatos decidirão o futuro”. “Eu acho que foi infeliz. Nós (da oposição) cumprimos a Constituição. Os fatos é que decidirão o futuro. Nós temos é o dever de cumprir a Constituição e apurar as coisas. Ninguém deve ter medo de apuração, de investigação”, afirmou Geraldo Alckmin.