Caso do Aeroporto

Aécio monta estratégia para se defender de acusações; PT pede investigação à PGR

Caso da desapropriação de terreno do aeroporto em Cláudio (MG) ganhou repercussão e faz candidato tucano à presidência adiar eventos, relata Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – O candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, organizou uma força-tarefa para minimizar o desgaste causado pela revelação de que, quando governador de Minas Gerais, construiu aeroporto num terreno de parentes que foi desapropriado no município de Cláudio, conforme revelado pela Folha de S. Paulo.

Segundo o jornal, Aécio adiou um evento que teria em São Paulo para ficar mais tempo em Minas acompanhando a operação. Os tucanos atuarão em duas frentes, segundo a Folha: politicamente, ao acusar a presidente Dilma, do PT, de usar o Estado para perseguir adversários, alimentado por uma ação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e, em outra frente, os assessores trabalham para municiar o noticiário na tentativa de que não houve irregularidade na obra.

O senador mineiro desapropriou o terreno do tio-avô onde o empreendimento foi construído. O parente do tucano contesta o valor de R$ 1 milhão oferecido pelo governo em troca das terras na Justiça. 

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A obra, segundo o jornal, custou cerca de R$ 14 milhões e terminou em 2010, último ano do mandato de Aécio como governador do estado. Aécio negou que foram cometidas irregularidades no processo de desapropriação e disse que é “lamentável” que a denúncia tenha sido feita durante a campanha eleitoral “por pessoas que não têm compromisso com a verdade, com os fatos e com os documentos”. 

A Anac informou que notificará o governo de Minas e a prefeitura da cidade para que apresentem informações sobre supostas irregularidades na utilização do aeroporto.

O PT, por sua vez, entregou ontem para a PGR (Procuradoria Geral da República), segundo nota divulgada pelo partido, um pedido de investigação do suposto uso de recursos públicos na construção do aeroporto. 

O documento também pede para a PGR averiguar se o aeroporto opera sem autorização da Anac. “A construção e administração irregular do aeródromo se configurariam em ato de improbidade administrativa, desrespeito ao Código Brasileiro da Aeronáutica e em crimes de peculato, emprego irregular de verbas públicas e de prevaricação”, destacou a nota do partido.