Eleições

Aécio e Campos estão agora em melhor posição para desafiar Dilma, diz The Economist

Em matéria publicada nesta quinta-feira, a revista destaca a melhora dos dois candidatos nas pesquisas e a queda da atual presidente nas intenções de votos

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SÃO PAULO – As eleições. Uma das notícias que mais tem impactado o mercado brasileiro nos últimos dois meses começa a tomar os noticiários internacionais. Em matéria publicada nesta quinta-feira (8) em sua versão imprensa, a The Economist destaca a perda de espaço nas pesquisas que a presidente Dilma Rousseff tem tido. Mais do que isso, como a própria matéria afirma, “a perda de sua popularidade começa a se traduzir em apoio aos seus rivais”.

A reportagem começa destacando que nem com os protestos ocorridos no meio do ano passado, o índice de aprovação de Dilma nunca ficou abaixo dos 45%. Porém, mesmo com esses dados, o cenário começa a mudar para a presidente, que viu sua aprovação cair de 55% em fevereiro para atuais 48%, enquanto Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) passam a ganhar espaço nas intenções de voto. 

Segundo a Economist, esse cenário de perda de espaço da atual presidente e elevação das intenções para os concorrentes se dá na medida em que os eleitores começam a conhecer melhor a dupla Aécio e Campos, destacando ainda a diferença de gerações entre a atual líder do governo e os dois candidatos de oposição. Aécio Neves e Eduardo Campos têm, respectivamente, 54 e 48 anos e vieram depois da Ditadura Militar nos anos 80, enquanto Dilma tem 66 anos e participou ativamente do período dos militares.

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A publicação também lembra a trajetória de sucesso dos dois candidatos opositores. Aécio governou Minas Gerais entre 2003 e 2010 e conseguiu transformar o estado em “um dos mais bem administrados do País”. “Seu choque de gestão, realizado por uma equipe de tecnocratas capazes, envolveu a redução de custos, aumentando as receitas fiscais, com estabelecimento de metas de desempenho, nivelando o salário do setor público”, destacou a The Economist.

Enquanto isso, Eduardo Campos governou Pernambuco com resultados “igualmente impressionantes” de 2007 até o mês passado, quando deixou o cargo para de concentrar em sua candidatura à presidência. A publicação ainda destaca que ambos os políticos enfrentaram sindicatos que se opõem às reformas e foram reeleitos por grandes margens.

Por fim, ele destaca o descontentamento tanto do mercado quanto de economistas e executivos com o desempenho e as políticas adotadas por Dilma em seu governo. A publicação ainda cita Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, que diz que a atual presidente tem pouca disciplina macroeconômica e muita intervenção microeconômica (preço da gasolina e reajuste de energia, por exemplo).

Por outro lado, a matéria diz que empresários têm ficado muito animados com as propostas de Aécio e Campos, que querem conceder maior independência ao banco central, simplificar o complicado sistema tributário do Brasil, reduzir o número de ministérios e fazer mais para angariar investimento privado em infraestrutura. Porém, entre os dois, o favoritismo parece ficar com Aécio, já que o estatuto do PSB de Campos ainda fala de “propriedade comum dos meios de produção”.

Campos também tem muita força
Apesar de não ser o favorito para derrotar Dilma, Campos começa a articular sua candidatura, tentando unir sua imagem “elitista” à da figura de Marina Silva – candidata à vice-presidente. Citando o consultor João Castro Neves, a The Economist diz que Campos e Marina tentarão se retratar com os “verdadeiros herdeiros de Lula”, citando a classe trabalhadora.

Além disso, Campos também deve aproveitar sua união com Marina para conseguir votos dos eleitores evangélicos, assim como nos estados mais ao sul, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o PSB é fraco. Enquanto isso, no nordeste, a força de Campos pode vir da familía Setúbal, com rumores indicando que o candidato colocaria Roberto Setúbal – atual presidente do Itaú Unibanco (ITUB4) – no ministério da Fazenda.

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“Tudo isso, combinado com a clareza ideológica do Aécio Neves e estruturas partidárias fortes nos maiores estados, coloca [os dois candidatos] em melhor posição para desafiar Dilma Rousseff”, afirma a matéria.