Tucano otimista

Aécio destaca bom desempenho em pesquisa e diz que é hora da “onda da razão”

Presidenciável tucano não poupou críticas à Dilma e à Marina e negou que líderes do PSDB tenham perdido a esperança em sua candidatura.

SÃO PAULO – O presidenciável do PSDB, Aécio Neves, mencionou em mais de uma oportunidade sua recuperação na pesquisa do Ibope, divulgada ontem. Durante entrevista ao Jornal da Record, o tucano revela que a arrancada pode estar refletindo um novo comportamento do eleitorado.

“Tenho um projeto para fazer a vida do brasileiro melhorar, sem improvisos. Nós estamos crescendo nas pesquisas, porque chegou a hora da onda da razão”, explicou acrescentando que é o único candidato que vem demonstrando mais firmeza em algumas questões, como a redução da maioridade penal e om estabelecimento de uma política de segurança nacional mais rígida.

Ao longo da entrevista, que teve duração de 12 minutos, Aécio não poupou críticas às suas principais opositoras na disputa pelo comando do Planalto: Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, do PSB.

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De acordo com o peessedebista, durante a gestão de seu correligionário Fernando Henrique Cardoso, o presidente assumiu o governo com a inflação em 1600% ao ano e chegou a 7% ao final de seu governo. Aécio destacou que a inflação subiu para 12%, por causa do risco de vitória de Luiz Inácio Lula da silva, o que se concretizou.

“A presidente Dilma é a primeira que entregará a inflação mais alta do que recebeu”, reforçou, completando que Armínio Fraga, presidente do banco central na era FHC, foi o construtor do atual pilar macroeconômico, que, se bem conduzido, deve fazer o Brasil voltar a crescer controlar a inflação e baixar os juros.

O tucano disse ainda que se surpreendeu com uma ação da candidata do PSB para tirar sua campanha do ar, após os tucanos lembrarem que Marina foi militante do PT por 27 anos e dificultou a aprovação do Plano Real. “Isso faz parte da história”.

Sobre os impactos da crise internacional na economia brasileira, Aécio relatou que a presidente não teve capacidade para manter confiança, atrair investimentos internacionais que pudessem manter o crescimento e reduzir o índice de preços. 

Questionado sobre que coligações aceitaria num eventual governo, Aécio foi contundente ao afirmar que está disposto a ser apoiado por qualquer legenda que queira contribuir com seu projeto.

“Sou oposição à Renan Calheiros, só não faço isso de marketing eleitoral. Vou governar como alguém que sabe como fazer para as reformas andarem”, afirmou o candidato do PSDB. “Quem tem condições de vencer a Dilma, somos nós. Nenhum outro candidato tem essas condições”, completou.

Sobre sua colocação nos levantamentos de intenção de voto em Minas Gerais, Aécio disse que se recuperou na última pesquisa e que o foco é impulsionar a candidatura de seu correligionário Pimenta da Veiga no estado. “Ele representa a continuidade deste governo honrado”. Na pesquisa Ibope do estado de Minas Gerais, Dilma detém 33%, Aécio aparece com 29% e Marina com 23%.

Despreocupado, o ex-governador mineiro demonstrou segurança de que vai superar Dilma na região e garantiu que o candidato ao governo de Minas Gerais tem chances de revertes a situação. O tucano detém 23%, contra 43% de Fernando Pimentel (PT), que venceria no primeiro turno. 

“Em 2010, (Antonio) Anastasia foi reeleito com quase 63%, tendo se recuperado no final da corrida eleitoral. Quando Pimenta for vinculado a nós, certamente ele vai se recuperar“.

Confiante, Aécio explicou que todos os líderes do PSDB seguem esperançosos com sua candidatura e que nenhum está inclinado a apoiar Marina no 1º turno. “FHC e Serra estão mais do que vinculados à nossa campanha e sabem que nossa candidatura é a única que permite que o país volte a crescer. Quero fazer uma grande mudança no país”, pontuou, ironizando que o Brasil tem ministérios que não são para entregar bons serviços a sociedade e sim para conseguir apoio à presidente.

Após defender que qualquer tipo de discriminação deve ser condenada e ter se posicionado a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo, Aécio encerrou a entrevista afirmando que quer que o Brasil tenha um governo generoso e eficiente. “Me preparei para isso por 30 anos. Inspirado no meu avô Tancredo e em colegas do PSDB, peço sua confiança para tirar o PT do poder e garantir um futuro melhor para o país”, concluiu.