Acordo entre EUA e Colômbia preocupa governo brasileiro quanto ao clima na região

Assessor da Presidência do Brasil deixa claro a representante norte-americano o temor do governo brasileiro frente ao fato

SÃO PAULO – O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, expressou nesta terça-feira (4) para o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o general James Jones, a preocupação do governo brasileiro frente ao acordo militar que vem sendo negociado entre Estados Unidos e Colômbia.

“Nossa percepção é de que bases estrangeiras à região aparecem um pouco como um resquício da Guerra Fria. A Guerra Fria acabou, esta é uma região que está num processo de evolução democrática pacífica muito grande. (…) A nosso juízo está na hora de uma ação mais diplomática e talvez evitar, um pouco, uma guerra midiática”, declarou Garcia ao general norte-americano, que está no Brasil para tratar de temas de interesse bilateral e internacional.

O governo brasileiro defende que a Colômbia e os Estados Unidos deveriam ter exposto suas intenções aos demais países da região antes de avançarem nas negociações, que preveem a instalação de militares norte-americanos em bases militares na Colômbia. “O fato de que essas bases existam aqui na região não nos parece um fator que contribua para a distenção”, declarou o assessor brasileiro.

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Garcia, que acabou de voltar de um encontro com ministros na Venezuela, destacou que as recentes tensões entre Venezuela e Colômbia seriam resultado da aproximação militar entre Colômbia e Estados Unidos. Na quinta-feira (6), o Brasil ouvirá as explicações do presidente colombiano, Álvaro Uribe, sobre o acordo.

Atritos na região

O assessor brasileiro foi bem claro quanto à opinião brasileira sobre o acordo dos EUA com a Colômbia. “Chamamos atenção para o fato de que o presidente Lula manteve muito boas relações com o presidente Bush e alimenta uma expectativa maior ainda em relação ao presidente Obama. (…) Dissemos o seguinte: não desperdicem essa opinião favorável que existe no continente vis a vis o governo Obama”, afirmou.

Garcia declarou que o representante do governo norte-americano foi bastante receptivo com o posicionamento do governo brasileiro, além disso, ele acredita que há, da parte do governo dos Estados Unidos, uma preocupação em ouvir a opinião dos países amigos. Jones declarou que a idéia é que tais bases sejam voltadas para ações de caráter humanitário e de combate ao narcotráfico.

No entanto, Garcia insistiu em demonstrar que tal parceira preocupa o governo do País, uma vez que outras situações semelhantes não funcionaram de maneira positiva no passado. “Cachorro que foi mordido por cobra tem medo até de linguiça”, concluiu o assessor brasileiro.