Era só o que faltava

A última coisa que o Brasil precisa é de uma alta de juros pelo Fed, diz FT

Presidente na "berlinda", economia em recessão, desemprego crescente - alta de juros pelo Fed pode agravar cenário negativo, afirma o jornal britânico

SÃO PAULO – A presidente pode ser cassada em meio a um escândalo de corrupção, a economia está em recessão, o desemprego está aumentando, a moeda entrou em colapso e a taxa básica de juros vem em ritmo de alta para reprimir a inflação. “A última coisa que o Brasil precisa é de uma alta das taxas de juros nos EUA, ainda que a maioria dos brasileiros tenha preocupações mais urgentes em mente”, afirma o jornal britânico Financial Times. 

A reportagem do jornal destaca a visão de brasileiros comuns, que estão bem preocupados. “É louco. O Brasil está de volta ao passado novamente. Está quebrado”, segundo a declaração do engenheiro Raul Shinohara, de 61 anos, ao jornal.

O FT ressalta que as empresas brasileiras que emitiram bilhões de dólares de dívida dos EUA estão de olho na perspectiva de alta do dólar por conta das perspectivas por taxas mais elevadas nos EUA – especialmente com a desaceleração da economia da China já empurrando para baixo os preços das commodities.

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“As empresas sempre alegaram que estavam cobertas contra a valorização do dólar”, disse um advogado corporativo em São Paulo que já trabalhou em questões societárias brasileiras. “Mas eles ainda estão cobertos de forma eficaz em relação aos preços das commodities de agora, deterioração dos fluxos de caixa em seus negócios, e o real, possivelmente, caindo para R$ 4 para o dólar?”, afirmou.

O real caiu fortemente, no menor patamar desde 2002. Mas muitos acreditam que ele poderia cair ainda mais com a alta de juros nos EUA. E um real mais fraco pode elevar a inflação para uma alta ainda maior e forçar o Banco Central a manter os juros altos, que estão atualmente a 14,25% ao ano. 

Segundo o FT, isso pode ser alto o suficiente para seduzir os investidores de volta para o mercado brasileiro, onde eles podem ter um retorno real de 5%. Mas as forças mais potentes domésticas e ndo exterior, principalmente da China, podem ofuscar a perspectiva desses retornos e agravar o efeito das taxas mais elevadas dos Estados Unidos sobre o real brasileiro.

“Se a China continuar diminuindo o ritmo … ela provavelmente vai contribuir para a pressão descendente das moedas dos mercados emergentes”, disse Erik Norland, economista-chefe da CME Group, ao jornal.