A Lava Jato também pegará o Judiciário, diz ex-ministra do STJ: “muita coisa virá à tona”

Para ela, o Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação

Lara Rizério

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SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a ministra aposentada do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ex-corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon fez uma previsão: a Operação Lava Jato chegará ao Judiciário. “A Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento. O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação.” “Muita coisa virá à tona”, afirmou.

Em 2011, ela foi alvo de duras críticas ao afirmar que havia bandidos escondidos atrás da toga. “Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram”, diz. Segundo Eliana Calmon, a alegação de que a Lava Jato criminaliza os partidos e a atividade política é uma forma de inibir as investigações. “Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. O que eles temem é a opinião pública e a mídia”.

Ela ainda criticou o atual corregedor de Justiça, João Otávio Noronha, apontando que ele está mais preocupado em “blindar os juízes”. “Do tempo que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram. Há aquela ideia de que não se deve punir o Poder Judiciário”. 

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Por outro lado, para ela,  há uma mudança no perfil do Judiciário hoje em dia. Antes, juízes mais rígidos eram vistos como “justiceiros”. “Hoje, o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso de Sergio Moro (…) Está na moda juiz aplicar a lei com severidade”, afirma.

 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.