Análise

A flechada virou tiro no pé? Coletiva de Janot se torna “vitória” para Temer

"Todo esse imbróglio em relação à delação envolvendo JBS ajuda governo a preparar estratégia de defesa", afirmou Rafael Cortez, analista político da Tendências

SÃO PAULO – Com especialistas ainda tentando entender a “bomba” jogada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na noite desta segunda-feira (4), a análise inicial é que a possível segunda denúncia contra o presidente Michel Temer perde força política.

Segundo Rafael Cortez, analista político da Tendências, em entrevista para a Bloomberg, o fato novo “deve gerar uma narrativa nova” por parte dos defensores do mandato, dando um instrumento para defesa do governo. “Todo esse imbróglio em relação à delação envolvendo JBS ajuda governo a preparar estratégia de defesa”, afirmou.

Cenário de continuidade do mandato já era esperado e, certamente, esse elemento novo ajuda nesse processo, disse o cientista político, que ressalta, porém, que “ainda não há elementos sólidos de que possível segunda denúncia contra Temer deve perder força”.

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Mesmo que o procurador tenha sinalizado com a manutenção das provas, defensores de Temer “devem utilizar desqualificação que o próprio Janot fez a respeito de membros relevantes do Ministério Público e de delatores para tentar deslegitimar os desdobramentos que possam sair de investigação”, afirmou Cortez.

“Esse fato é grave, e por mais que formalmente o cancelamento do benefício da delação não invalide as provas e fatos entregues, fatalmente uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer perde força política”, disse Richard Back, analista político da XP Investimentos, para a Bloomberg. “Com toda a delação sob questionamento, o custo político de
vencer uma segunda denúncia diminui sensivelmente”, completou.