Guerra fria tucana

A estratégia de Doria para superar Alckmin e ser o nome do PSDB em 2018

Articulações com representantes de outros partidos visam pressão interna por candidatura, mas jogo de aparências com o governador segue vital

SÃO PAULO – Enquanto o governador Geraldo Alckmin se esforça para fechar as portas a qualquer investida de sua cria política João Doria em direção às eleições presidenciais do ano que vem, antecipando a escolha do representante tucano ao pleito, o prefeito faz importantes movimentações de bastidores. Muito além do que ambos tentam demonstrar em frente às câmeras, a realidade é que a disputa para 2018 se intensificou dentro do PSDB, mas a nenhum dos pretendentes interessa a guerra aberta.

Em vídeo publicado em suas redes sociais junto com o governador, Doria disse reafirmar sua lealdade ao padrinho político. Na postagem, ele declarou que “especulações e notícias fantasiosas vem sendo divulgadas por alguns órgãos de imprensa”, mas “não vão abalar nossa amizade e o respeito que temos um pelo outro”. Apesar das sinalizações, a própria preocupação do prefeito em gravar um vídeo com o governador reforça a avaliação de que há ruído no que diz respeito à corrida eleitoral.

Eis a postagem:

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Reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo neste fim de semana só reforça a disputa travada entre os tucanos em viagens estratégicas. Dos 645 municípios paulistas, Alckmin só não visitou 17. O desafio agora é intensificar agenda pelo Nordeste. Já Doria tem planos para visitar Palmas (TO), Natal (RN) e Fortaleza (CE) na próxima semana e Vila Velha (ES) e Campina Grande (PB) em setembro. O governador usa avião de carreira, o prefeito vai de jato particular. A despeito das diferenças, o objetivo é o mesmo: ganhar musculatura para representar o PSDB nas eleições de 2018. Um foca na “gestão” em contraposição à “política”, enquanto o outro valoriza a “experiência”.

E a disputa não se restringe apenas ao tucanato. A guerra fria entre Doria e Alckmin passa pela conquista de outros partidos, o que é vital para cacifar uma candidatura em 2018. Isso se torna mais evidente no caso do prefeito, tendo em vista uma recente derrota sofrida dentro do próprio partido.

O entendimento da cúpula tucana é que o partido tenha escolhido seu candidato a presidente já em dezembro deste ano. A antecipação dificulta a estratégia de Doria de se viabilizar como presidenciável da legenda, uma vez que exigiria um movimento mais incisivo, que iria contra as intenções de Alckmin. O tempo jogaria a favor do prefeito. Com sua redução, ganhou força o governador.

Com isso, Doria intensificou suas movimentações com outros partidos. Na semana passada, o presidente Michel Temer acenou para ter o tucano como candidato peemedebista ao pleito em 2018. Da mesma forma, houve aproximações com o DEM e próprio PRB. Com as costuras externas, o prefeito deu uma boa resposta ao seu padrinho no xadrez tucano.

Conforme contou o portal Poder360, as manifestações de peemedebistas e representantes de outros partidos servem para pressionar o PSDB a escolher Doria como candidato. O prefeito acena a essa classe com possíveis “dobradinhas” em 2018. Por outro lado, a preocupação é evitar o rótulo de “traidor” em seu partido, o que explica o movimento de distensão no fim da semana, em um café e vídeo gravado com Alckmin.

Contudo, com a máquina e a ampulheta da candidatura tucana correndo a seu favor, ao governador tampouco interessa sair da “guerra fria”, em direção a um confronto aberto. O recente afastamento em relação a Temer evidencia a movimentação precavida de Alckmin. Para Doria, restam esforços em articulações externas, o jogo de aparências com seu mentor e a torcida para as pesquisas eleitorais darem mais uma força.