Cenário de otimismo

À espera de grande rotação, BofA afirma: esta pode ser uma oportunidade única na história do Brasil

Analistas e economistas do banco destacam perspectiva mais estável para o País do que na comparação com um ano atrás

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SÃO PAULO – Em meio a tantos obstáculos para a aprovação de reformas estruturais no Brasil, a equipe do Bank of America Merrill Lynch destacou uma visão bastante positiva para o País em sua quarta edição do “Brasilopedia”, um extenso relatório anual que trata sobre diversos aspectos da economia e dos principais setores da Bolsa. 

“Uma nova esperança”: esse é o título da edição do relatório deste ano, em que aponta uma perspectiva muito mais estável do que a um ano atrás. “Um novo equilíbrio político, contra todas as possibilidades, trouxe um dos governos mais reformistas em uma geração”, ressalta o banco americano, destacando a agenda reformista do presidente Michel Temer, que conta com reforma da Previdência e trabalhista já num curto espaço de tempo.

Conforme aponta a equipe, os preços dos ativos estão acompanhando o cenário. E, mesmo em meio aos desafios de uma longa lista de reformas a serem feitas e à alta expectativa do mercado com a administração atual (que sofreu um baque nesta semana em meio aos recuos do governo ao retirar servidores municipais e estaduais da reforma da previdência e a apertada votação da lei da terceirização), os analistas ainda estão otimistas. Para o BofA, a aprovação da reforma da Previdência sem muita diluição e a recuperação econômica ainda não estão totalmente precificadas pelo mercado.

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O banco aponta que o presidente Michel Temer assumiu a presidência em maio de 2016 dirigindo a economia brasileira via ajuste fiscal, eliminação de subsídios, redução da intervenção e promoção de reformas. A PEC 241 congelou o crescimento real das despesas governamentais por dois anos e, nesse cenário, a expectativa é de uma progressiva melhora do déficit primário como proporção do PIB, que deve passar de 2,6% em 2016 para 1% em 2018. 

De acordo com o BofA, o momento atual pode ser uma oportunidade única na história brasileira. A equipe do banco aponta que, nos últimos dois anos, o Brasil passou pela pior crise da sua história, com a economia contraindo 8,2% no período. A situação fiscal crônica, um presidente que não está buscando a reeleição e um Congresso que aponta suporte para a ambiciosa reforma leva à visão positiva. “Todos os olhos estão voltados na Reforma da Previdência. Contudo, reformas trabalhista, tributária e política também podem ter importante implicações de longo prazo para a economia”, afirmam. 

Contudo, apesar do relativamente rápido ajuste, a economia brasileira enfrenta desafios complexos. Há 14 milhões de desempregados, a economia se contraiu por oito anos e a situação fiscal está frágil. A investigação da Lava Jato já dura três anos e deve ir além, colocando pressão nos 27 partidos com representação no Congresso. Por outro lado, há alguns dados que apontam para melhora da economia, como 35.600 contratações a mais do que demissões em fevereiro, além de melhoras na confiança do consumidor, de produção industrial e de veículos.  

Esperando a grande rotação

Nesse cenário, os ativos brasileiros – ações, câmbio e juros – estão entre as melhores performances do mundo nos últimos doze meses. “Isso sugere que muito da melhora econômica e política já está precificada. Contudo, nós ainda acreditamos que há ‘desalocações’, uma vez que as taxas reais no Brasil estão entre as mais altas do mundo e a lucratividade das empresas está em níveis historicamente baixos”, afirmam, apontando que esperam uma “grande rotação”. 

 Assim, de acordo com os estrategistas e economistas do banco, há um espaço para mais surpresas positivas, em meio à expectativa de elevação do PIB e baixas taxas de juros aumentando o lucro por ação nos próximos anos.  

Segundo o BofA, o mercado de ações nos níveis correntes estão refletindo um cenário benigno de margens estáveis, taxas reais de 5,3% e um crescimento sustentável de somente 1% do PIB. “Um maior crescimento e taxas de juros mais baixas podem entrar no cenário em meio à percepção de um ciclo mais agressivo de corte da Selic de 6 pontos percentuais no total, alcançando 8,25% ao ano em 2018 uma vez que a inflação deve desacelerar e encontrar o juro no ano que vem”, afirmam. Isso representará uma mudança de paradigma para os investidores locais.