Política

A dura realidade do Brasil que mesmo um presidente populista terá de enfrentar após as eleições

A crise fiscal brasileira, puxada pela necessidade de reformas, será item essencial na agenda de qualquer presidente

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SÃO PAULO – Apesar de uma recuperação econômica em andamento, o Brasil enfrenta um sério problema que deverá ser combatido a partir de 2019: a crise fiscal. E isso não dependerá da bandeira defendida do presidente que for eleito e mesmo que ele seja de esquerda terá de encarar esta dura realidade.

Esta é a avaliação de gestores consultados pelo Financial Times em uma matéria especial publicada nesta terça-feira (15). Não importa se o ex-presidente Lula irá disputar a eleição, ou se o foco de Jair Bolsonaro é outro, gestores reforçam que o cenário fiscal e outras reformas terão de ser prioridade.

“Os enormes déficits orçamentários do Brasil, impulsionados pelo que muitos vêem como um esquema de aposentadoria estatal super generoso, significam que quem quer que se torne presidente terá que enfrentar a necessidade de uma reforma fiscal”, diz o Financial Times.

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Para Carlos Langoni, conselheiro da FGV Projetos e ex-presidente do Banco Central, os próximos meses serão difíceis para os mercados. “Temer fez muito, mas não conseguiu aprovar a reforma da previdência”, afirma ele ressaltando um “ajuste interno incompleto”.

Já Patrice Etlin, da Advent, afirma que “mesmo que um candidato de esquerda chegue ao poder a partir de 1º de janeiro, a grande diferença agora é que o país ficou sem dinheiro”. “No final do dia, eles terão que pagar os funcionários do setor público e a seguridade social. Algum tipo de reforma será quase imposta na agenda”, reforça.

Mesmo com este grande problema pela frente, os gestores se mostram otimistas. Bruno Amaral, chefe de Fusões e Aquisições no BTG Pactual, acredita que a recuperação econômica cíclica é imparável, por conta fraca base de comparação após a recente recessão.

“A verdadeira questão é se essa recuperação cíclica será combinada com uma recuperação estrutural [conduzida por reformas implementadas pelo próximo presidente]. Se isso acontecer, então vamos ver algo [um boom] que provavelmente não vemos há anos”, conclui ao Financial Times.

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