Discussão

A confusão criada por Lindbergh no Congresso e que fez o dólar disparar no fim do pregão

Votação da TLP, que deveria ocorrer hoje, foi mais uma vez adiada e gerou tumulto em comissão do Senado

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SÃO PAULO – Se o mercado foi monotemático nesta terça-feira (22) e caminhava para tudo ser um reflexo da “bomba” da privatização da Eletrobras, uma confusão no Congresso acabou mudando o rumo do dólar e dos juros futuros nos últimos minutos do pregão. Além disso, este impasse trouxe ainda mais pressão para o governo.

Após um tumulto generalizado, o presidente da comissão do Congresso Nacional que analisa a nova taxa de juros do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Lindbergh Farias (PT-RJ), decidiu encerrar a sessão sem votar a proposta, atrasando ainda mais o já apertado cronograma do governo.

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Com a notícia, o dólar, que operou em queda forte durante toda a sessão, virou para alta nos minutos finais e fechou com ganho de 0,40%, cotado a R$ 3,1810 na venda. Os contratos de juros futuros, principalmente os mais longos, também ganharam força e encerraram o dia entre a estabilidade e alta.

A comissão, presidida por Linbergh, discute a medida provisória que institui a TLP (Taxa de Longo Prazo) no lugar da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) nos empréstimos do BNDES. O deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), relator da MP, já apresentou um parecer favorável à aprovação da proposta e a sessão desta terça seria para votar o relatório.

A confusão começou após o senador José Serra (PSDB-SP) apresentar uma questão de ordem argumentando que o relatório não apresenta o impacto orçamentário da mudança para a TLP. Lindbergh acatou a questão sem colocá-la em votação e encerrou a sessão, anunciando uma nova reunião da comissão para a próxima semana.

Foi quando diversos integrantes da comissão iniciaram um tumulto, com muitoa gritaria. A sessão chegou a ser retomada com o senador Benedito de Lira conduzindo os trabalhos, mas a decisão acabou sendo de que os trabalhos serão retomados nesta quarta-feira (23) às 9h (horário de Brasília).

Se a proposta não for votada logo, há um grande risco de não haver tempo, já que a proposta irá caducar em 6 de setembro. Defensores da TLP – incluindo o Banco Central e o Ministério da Fazenda – argumentam que a nova taxa vai acabar com “subsídios intrínsecos”, em que o Tesouro precisa arcar com os rombos gerados pelo fato de a TJLP ser menor que os juros praticados no mercado. Além disso, a nova taxa facilitaria o trabalho de controle da inflação por parte do BC.