Cenários

7 dúvidas sobre política que agitaram o mercado após a votação do impeachment

O timing sobre as votações no Senado, perspectiva de novas eleições gerais e nomeação de novos ministérios estão no radar

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SÃO PAULO – Uma das grandes incertezas do mercado, a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados passou com 367 votos a favor e 137 contra, o que é visto positivamente pelo mercado dada à perspectiva de mudança política. 

Contudo, se a mudança política é bem-vinda pelo mercado, o cenário ainda parece ser de cautela, principalmente por conta de novas questões que aparecem todos os dias sobre os próximos passos do processo no Senado e também sobre o futuro de um eventual governo Michel Temer. Além disso, a ofensiva do governo contra o impeachment seguirá no radar dos mercados.

Veja abaixo as questões que ainda estão no radar dos mercados sobre o impeachment

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1. Qual será o timing para a primeira votação no Senado?
A primeira votação no Senado vai requerer uma maioria simples e, se passar, Dilma poderá ser afastada temporariamente, com Temer assumindo. A votação deve ocorrer no máximo na segunda quinzena de maio; porém, o grupo aliado ao vice tenta antecipar as votações. 

Enquanto o limiar para o número de votos necessários deve ser facilmente alcançado para que Dilma seja afastada, afirma a Nomura, o tempo até essa votação poderia, com efeito determinar quando a presidência de Michel Temer (temporária ou não) começa.

2. Qual o timing e a chance do Senado passar o voto do impeachment pela 2ª vez?
Ao julgar pela segunda vez, isso levaria definitivamente ao impeachment de Dilma. Enquanto uma derrota do governo na primeira votação do Senado parece ser uma questão de tempo, ao invés da questão é se acontecerá, a segunda etapa vai requerer a maioria de dois terços. “Trabalhamos sob a suposição de que o Senado irá atender a essa limite”. 

A Rosenberg Associados também destaca que ainda há incertezas políticas do processo, destacando a votação do afastamento até o julgamento do mérito da questão com a cassação ou não da presidente Dilma. “Enquanto ocorre o julgamento pelo Senado, Michel Temer assume – e já deve chegar com muito pra mostrar, sob pena de não conseguir causar o impacto positivo capaz de elevar a confiança e trazer uma injeção de ânimo ao país”, afirma a consultoria. 

3. O governo tentará chamar novas eleições?
Mesmo que essa seja uma possibilidade remota, diz a Nomura, a probabilidade cresce seguindo a derrota do governo e pode ser uma estratégia do governo se todas as outras rotas parecerem menos favoráveis. 

A Rosenberg também destaca que há indícios de que Dilma poderia propor novas eleições gerais, mas dificilmente conseguiria aprovação do Congresso para a ideia. “Cresce exponencialmente as chances de Dilma não encerrar seu mandato e de Temer vir a concluí-lo, em nossa árvore de cenários. Embora a possibilidade de novas eleições não possa ser descartada, ou que Dilma seja julgada e não condenada ao afastamento, as chances destes dois cenários são reduzidas”, afirma.

4. Como serão as nomeações de Temer?
As nomeações de Temer e a orientação política inicial também estão no radar. Em geral, o vice-presidente é visto como uma alternativa amigável ao mercado, que deve desfrutar de mais governabilidade do que a presidente Dilma Rousseff, destaca a Nomura. As possíveis nomeações para alguns cargos, particularmente para o ministério da Fazenda, em uma eventual administração de Temer são vistas como positivas pelo mercado. 

“Acreditamos que os sinais de mudanças na política econômica podem agradar os mercados inicialmente. No entanto, nós também destacamos que um impeachment por si só não corrige as questões políticas do Brasil, o que poderia dificultar a governabilidade e reduzir a probabilidade de uma reforma significativa no futuro”, diz a Nomura. 

5. A Lava Jato vai voltar a influenciar o impeachment?
A evolução das investigações de corrupção na Lava Jato se torna particularmente relevante se o Senado não for capaz de votar o impeachment rapidamente, ressalta a Nomura. A vulnerabilidade de muitos dos participantes políticos do Brasil (incluindo o PMDB) continua levando a uma situação política difícil.

6. A economia vai se recuperar de forma rápida?
Para a Nomura, as perspectivas para a economia brasileira continuam muito ruins para esse ano, assim como para 2017. Apesar das reações rápidas do mercado e da melhora do sentimento por causa de um aumento da probabilidade da resolução de um impasse político no futuro próximo, o impacto na atividade não deverá ser tão rápido. Assim, de uma perspectiva componente de crescimento, parece haver muito poucos drivers: o consumo deverá permanecer fraco por causa do agravamento da crise no mercado e declínio de salários; o investimento continua a sofrer de uma elevada incerteza sobre as condições futuras e há baixos indicadores de confiança das empresas. “Mesmo se o impeachment aumentar a confiança, o cenário de alto nível de estoques restringe significativamente a velocidade em que o investimento pode aumentar”, afirma a corretora. 

Os gastos do governo devem ser mais controlados e não existe a possibilidade do crescimento da expansão fiscal, destaca a corretora. As exportações seriam um suporte potencial do PIB, porém, a Nomura argumenta que o Brasil é uma economia relativamente fechada, o que pode diminuir o impacto do setor externo.  “Neste sentido, embora o segundo semestre de 2016 possa registrar alguma estabilização do PIB, mantemos nossas previsões atuais de recessão de 3,5% este ano, seguido de um modesto retorno a um crescimento positivo em 2017 (1%)”, afirma a corretora. 

A Rosenberg reforça que há uma situação econômica grave e que, além de um grande ajuste fiscal, será preciso focar em diversos pontos da agenda do PMDB “Ponte para o Futuro” que destravem a competitividade e a produtividade, como simplificação tributária, reforma trabalhista. “Todos problemas de difícil solução política, que necessitarão de um intenso diálogo com a
sociedade e mais articulação”. 

Assim, reforçam os economistas da Rosenberg, Temer pode não chegar ao poder com a mesma legitimidade de um presidente recém-eleito pelo povo, sendo que sequer é unanimidade entre os defensores do impeachment. Porém, ele pode chegar num momento em que a necessidade de uma articulação política mais competente do que a feita nos últimos cinco anos é “gritante”.  Destacando a votação na Câmara, que deve dar algum suporte ao vice, ainda é cedo para saber se a conjuntura  e o talento político de Temer serão suficientes para avançar em pelo menos alguns pontos das reformas. “O mais provável é que a onda de otimismo recue antes de o país começar a colher qualquer resultado concreto do novo governo”, afirma a Rosenberg.

7 – Efeito nos mercados?
Para a corretora SulAmérica, considerando a possível demora do trâmite no Senado (que pode travar a aprovação de legislação importante, como orçamento e ajuste fiscal), a questão de governabilidade (seja por Dilma Rousseff não ser afastada pelo Senado ao final do processo, seja pela falta de popularidade de um governo Temer), o efeito boato-fato nos preços de ativos (que sobem mais na expectativa do evento, mas caem quando ele efetivamente ocorre), e o desafio considerável que se apresenta na economia (atividade em queda, desemprego em alta, contas fiscais ficando mais deficitárias), é possível que os preços de ativos brasileiros não subam de forma tão sustentada nos próximos dias como fizeram no passado recente. Além disso, “pode-se esperar que a entrada de recursos externos no Brasil se arrefeça, diminuindo também a força de apreciação do real”, afirma a corretora.

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Porém, o efeito de um impeachment ainda parece incerto no longo prazo. Em relatório, o Morgan Stanley destacou que o Ibovespa pode ganhar mais 22%, passando para patamar de 65.000 pontos nos próximos dezoito meses, se o novo governo ancorar o orçamento e aprovar reformas econômicas.

Ou seja, o determinante para o futuro dos ativos passa a ser menos condicionado pelo impeachment, mas sim pela capacidade de Temer de acenar para uma verdadeira mudança. 

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