Pesquisa

63% dos brasileiros dizem que opinião sobre Jair Bolsonaro não mudou após relatório do Coaf, diz XP/Ipespe

Segundo levantamento, avaliação sobre redução da corrupção daqui a seis meses diminuiu, ao passo que expectativa positiva sobre o futuro governo chegou a 59%

SÃO PAULO – Um dos episódios que trouxeram turbulência para o mundo político durante a transição de governo, a divulgação de relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações atípicas em conta de funcionários da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) não provocou desgaste significativo à imagem do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). É o que mostra a segunda edição da série mensal da pesquisa XP/Ipespe, divulgada nesta quinta-feira (20).

Segundo o levantamento, realizado entre os dias 12 e 14 de dezembro, 78% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento sobre o documento que lançava suspeitas sobre, dentre outros nomes, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do futuro presidente. A pesquisa mostra que 63% dos respondentes afirmaram que o caso não alterou sua opinião sobre Jair Bolsonaro, ao passo que 15% disseram ter mudado de avaliação.

GRÁFICO 1: O(a) sr(a) tomou conhecimento ou não sobre a investigação do Coaf envolvendo a família Bolsonaro? Isso alterou ou não sua opinião sobre Jair Bolsonaro?

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A pesquisa mostra que a expectativa sobre o combate à corrupção nos próximos seis meses sofreu recuo em comparação com o primeiro levantamento da série, realizado em novembro. Agora, 51% dos entrevistados esperam que ela terá diminuído no período, ante 56% registrados no primeiro levantamento. Do outro lado, o percentual dos que acreditam que a corrupção terá aumentado daqui a seis meses subiu de 17% para 21%. Outros 23% projetam cenário estável, mesmo percentual da pesquisa anterior.

GRÁFICO 2: Daqui a seis meses, o(a) sr(a) acha que a corrupção terá:

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Em contraste com o recuo das expectativas para o combate à corrupção no curto prazo e de algum impacto, ainda que minoritário, do relatório do Coaf sobre a percepção do eleitorado sobre a figura de Bolsonaro, as expectativas em relação ao futuro governo oscilaram positivamente.

O grupo de entrevistados que esperam uma gestão ótima ou boa atingiu 59% em dezembro, 2 pontos percentuais acima da marca do mês passado. Já os que esperam um governo ruim ou péssimo agora somam 17%, ante 20% registrados no primeiro levantamento. Outros 19% têm expectativa de uma gestão regular. A margem máxima de erro da pesquisa é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

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GRÁFICO 3: O(a) sr(a) acha que o presidente eleito fará um governo:

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A pesquisa ouviu novamente a percepção dos eleitores sobre a montagem do governo Bolsonaro e as primeiras medidas anunciadas antes da posse. O quadro é praticamente estável, com 63% de aprovação e 27% de desaprovação.

GRÁFICO 4: O(a) sr(a) aprova ou desaprova, na sua maior parte, a montagem do novo governo e as decisões já anunciadas?

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Quando questionados sobre a necessidade de se reformar o sistema previdenciário, a maioria dos eleitores responderam de forma afirmativa. O percentual, porém, recuou em relação à última pesquisa: de 67% para 63%. Já o grupo contrário à medida oscilou de 28% para 30%.

GRÁFICO 5: Na sua opinião, a reforma da Previdência é necessária ou não?

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Em relação à economia, há uma melhora marginal na percepção dos entrevistados. As avaliações negativas da atual situação recuaram de 60% para 56%, ao passo que as expectativas positivas para o cenário daqui a seis meses avançaram de 51% para 55%.

GRÁFICO 6: Situação econômica

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Confira a íntegra da pesquisa clicando aqui.

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 12 e 14 de dezembro, e ouviu 1.000 entrevistados de todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados “ao vivo” por entrevistadores e submetidos a verificação posterior em 20% dos casos. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais.

O Ipespe realiza pesquisas telefônicas desde 1993 e foi o primeiro instituto no Brasil a realizar tracking telefônico em campanhas eleitorais, a partir de 1998. O instituto tem como presidente do conselho científico o sociólogo Antonio Lavareda e na diretoria executiva, Marcela Montenegro.

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