Aproveite o desanso

3 motivos para descansar no feriado e esperar uma terça-feira agitada na Bolsa

No resto da próxima semana, temporada de resultados, julgamento de bancos e divulgação de dados na China devem agitar o mercado

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Com o chamado “rali eleitoral’ completando um mês, a Bolsa encerra esta semana mais uma vez agitada pelo cenário político, que trouxe ânimo para o mercado nesta quinta-feira (17). Diante disso, os investidores têm pelo menos três razões para aproveitarem esse feriado prolongado esperando uma volta bastante movimentada na Bolsa.

Durante a manhã o mercado ameaçou passar por um dia calmo, com os investidores preferindo a cautela antes da saída para o feriado. Porém, durante a tarde, rumores de que a pesquisa eleitoral Ibope teria vazado – com uma nova queda de Dilma – levaram à uma alta forte do Ibovespa, com o mercado tentando antecipar o resultado.

Segundo o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, a tendência antes de um feriado seria de aversão ao risco, com os investidores evitando ficarem posicionados em algum ativo. Esse sentimento ocorre diante da possibilidade de que algum evento ou notícia possa ter um grande efeito na abertura da Bolsa terça-feira. Veja abaixo três eventos que devem justificar uma abertura agitada no mercado na volta do feriado:

Aprenda a investir na bolsa

1º – vencimento de opções
Normalmente a semana anterior ao vencimento de opções sobre ações traz grande volatilidade na Bolsa, principalmente para ações mais movimentadas, caso de Petrobras (PETR3PETR4) e Vale (VALE3VALE5), que juntas representam 22% da carteira do Ibovespa. 

 Neste cenário, os investidores “comprados” e “vendidos” ajustam suas posições tentando determinar o andamento dos papéis, o que traz grandes oscilações. Vale mencionar que, devido ao feriado prolongado, hoje foi o último dia para os investidores que querem abrir posições. Na terça será permitido apenas o exercício delas.

2º – pesquisa eleitoral
Após rumores animarem o mercado durante a tarde, uma nova pesquisa Ibope foi apresentada, mostrando que a presidente Dilma Rousseff mais uma vez caiu nas intenções de voto, passando de 40% em março para 37% em abril. Porém, em qualquer cenário ela ainda vence as eleições no primeiro turno.

Por outro lado, Pereira afirma que o mercado já absorveu esse ambiente eleitoral e os efeitos de novas pesquisas não devem ser tão grandes quanto foram no mês passado. Desde o dia 17 de março – quando teve início o chamado “rali eleitoral” – o Ibovespa já registra ganhos de 15%, com o mercado mostrando estar mais confortável com a possibilidade de que a presidente Dilma Rousseff não seja reeleita.

Um sinal de que esse efeito já não é tão forte é o desempenho dos ADRs de empresas como Petrobras, Vale e Eletrobras na bolsa dos EUA. Após a divulgação da pesquisa Ibope, os ativos negociados na NYSE praticamente não tiveram oscilação no after market.

3º – feriado
Apesar de todos os mercados ficarem fechados nesta sexta-feira, no início da próxima semana apenas a bolsa brasileira não irá abrir. Com isso, notícias e eventos que ocorram nesses dias terão impacto no nosso mercado apenas na terça-feira, adicionando mais um fator para volatilidade na bolsa na abertura do próximo pregão.

PUBLICIDADE

Os efeitos de possíveis notícias podem ser acompanhados com o movimento dos ADRs (American Depositary Receipt) de empresas brasileiras negociados no EUA, como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco (ITUB4), que já podem sinalizar o que veremos na abertura do mercado por aqui após o feriado.

Outros eventos
Com esses três motivos agitando o mercado na volta do feriado, outros fatores devem ficar no radar dos investidores no resto da próxima semana. Entre os indicadores, destaque para as prévias dos PMI da indústria no Brasil, zona do Euro e China. Além disso, a temporada de resultados começa a ganhar força, com destaque para empresas como Usiminas (USIM5) e Bradesco (BBDC4). Por fim, no dia 23 de abril, está marcada o julgamento dos bancos sobre as correções das cadernetas de poupança e a assembleia para definir a utilização do voto múltiplo na Eternit (ETER3).