Denúncia contra Temer

“2 de agosto ficará marcado como o dia da vergonha”, diz Joesley sobre vitória de Temer na Câmara

Segundo o Globo, o dono da JBS assistiu à sessão na sede da J&F e fez o comentário durante a tarde, quando as projeções já davam conta de que o presidente teria resultado favorável

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SÃO PAULO – “O dia 2 de agosto ficará marcado como o dia da vergonha”. Foi assim que o empresário Joesley Batista definiu a um interlocutor ouvido pelo jornal O Globo a última quarta-feira, dia de uma importante vitória do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados ao conseguir barrar a denúncia contra ele por 263 votos a 227.

O dono da JBS assistiu à sessão na companhia de executivos na sede do grupo J&F, em São Paulo, e fez o comentário durante a tarde, quando as projeções já davam conta de que Temer obteria resultado favorável. Joesley tratou o episódio como “trágico” para o País. Por meio de nota, o grupo J&F informou que não se manifestaria.

O empresário foi o pivô da maior crise política do governo Temer. Por sinal, a denúncia de corrupção passiva contra o presidente que foi barrada ontem na Câmara teve como base informações e gravações trazidas pela colaboração premiada assinada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista e executivos do grupo com a Procuradoria-Geral da República (PGR). 

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Na denúncia, Temer é acusado de ter se aproveitado da condição de chefe do Poder Executivo e ter recebido, por intermédio de um ex-assessor, Rodrigo Rocha Loures, “vantagem indevida” de R$ 500 mil. O valor teria sido ofertado pelo empresário Joesley Batista. 

E, de acordo com o jornal, nos próximos dias, advogados da J&F deverão entregar mais informações à PGR. A publicação informa que pessoas próximas à equipe que cuida do trabalho já contabilizam mais de 20 novos anexos com dados sobre episódios de corrupção que ainda não foram levados ao Ministério Público, com novos nomes de investigados. No acordo inicialmente homologado pela Justiça, os irmãos Batista e cinco executivos apresentaram 44 anexos aos procuradores.  Os novos anexos vão detalhar benefícios à empresa obtidos no Ministério da Agricultura, por exemplo.

A expectativa é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente novas denúncias contra Temer, tendo como base outras informações trazidas pela J&F. Janot vai deixar o cargo em setembro.