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10 anos atrás, Temer já falava em fraude eleitoral do PT, mostram documentos do WikiLeaks

WikilLeaks vaza informações trocadas entre peemedebista e cônsul-geral dos Estados Unidos

SÃO PAULO – O WikiLeaks, site que publica documentos censurados ou restritos de diversos governos, trouxe à tona uma série de documentos envolvendo a troca de informações entre o presidente interino Michel Temer e o governo dos Estados Unidos. Os textos, de janeiro de 2006, quando Temer era deputado e presidente nacional do PMDB, mostram que ele acreditava que o partido poderia lançar candidatura própria para as eleições de 2006 por conta da “desilusão pública” da população com o presidente (na época) Luiz Inácio Lula da Silva. 

O ano de 2006 foi quando o escândalo do Mensalão, esquema de compra de votos de deputados para a aprovação de emendas, estava aparecendo constantemente na mídia. Segundo os documentos divulgados pelo WikiLeaks, o PMDB só não lançaria candidato naquele ano por causa de divisões internas. Neste caso, a sigla ainda fecharia um acordo para apoiar Lula e o PT, como efetivamente ocorreu. 

Temer ainda criticou a “visão estreita” de Lula e seu excessivo foco em programas sociais que não promoveriam “o crescimento ou o desenvolvimento econômico”. 

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O peemedebista ainda falou no “estelionato eleitoral” do PT naquela época. “O PT fez campanha com um programa e, uma vez no poder, fez o oposto do que prometeu, o que Temer caracterizou como fraude eleitoral”, afirma o texto. “Pior ainda, alguns líderes do PT roubaram dinheiro do Estado, não para ganho pessoal, mas para expandir o poder do partido”, continua. 

O documento ainda fala de cansaço da população tanto com PT quanto com PSDB e que a desunião do PMDB se deve à falta de uma identidade nacional unificadora. Temer disse, na época, que isso não era característico apenas do PMDB e que dos 28 partidos brasileiros (número de então), a maioria não representava uma ideologia ou uma linha política, mas apenas interesses fisiológicos. 

As informações foram trocadas entre Temer e o cônsul geral dos EUA. Os documentos estavam marcados como não sigilosos, mas para uso apenas oficial.