Em petrobras

Além do lucro histórico: o que agradou tanto no balanço da Petrobras que fez a ação subir 3,5%

Desalavancagem e fluxo de caixa forte animaram os analistas, com a grande maioria recomendando compra para os ativos da estatal

Prédio da Petrobras
(Wikimedia Commons)

SÃO PAULO - Um lucro histórico e forte desempenho das ações no pregão posterior à divulgação dos resultados. 

Porém, não foi só o forte ganho do período que fez com que as ações da  Petrobras (PETR3;PETR4) disparassem até 5% na sessão desta sexta-feira, fechando com ganhos de 3,03% (R$ 29,21) para os ativos ON e de 3,59% (R$ 26,52) para as ações PN. 

Ainda mais que, mesmo com a estatal registrando R$ 18,86 bilhões de lucro entre abril e junho (uma alta de 87% frente o mesmo período do ano anterior), em termos ajustados o lucro líquido foi de R$ 5,2 bilhões.  Este valor, ainda que bilionário, representa metade do montante de R$ 10,072 bilhões reportados em igual período de 2018.

O resultado no segundo trimestre foi sustentado principalmente pela venda da TAG. Contudo, foi parcialmente compensado pelas maiores variações cambiais negativas e aumento das despesas com imposto de renda e contribuição social, em razão do maior resultado antes de impostos e da baixa de ativos fiscais diferidos sobre parcela de provisões judiciais.

A Petrobras, com a venda de ativos, ao mesmo tempo em que reduz o seu endividamento, aumenta o seu foco na exploração de águas ultraprofundas, o que ajuda a companhia a cortar custos. 

O custo de operação e manutenção dos campos do pré-sal, que hoje representam quase 60% da produção de petróleo da Petrobras, ficou em cerca de US$ 6 o barril no segundo trimestre, uma queda de 9% na comparação anual. 

A empresa também anunciou a perspectiva de se desfazer da totalidade das ações da BR Distribuidora, após deixar de ser controladora da companhia no fim de julho. 

"Ficamos ainda com 37,5% do capital da BR, que no futuro temos a intenção de vender parcial ou totalmente. Enquanto isso, vamos nos beneficiar como acionistas do enorme potencial de criação de valor da BR com a flexibilidade que possui uma empresa privada", informou a empresa. 

Durante teleconferência com analistas, a diretoria da companhia afirmou que não há nenhuma decisão sobre o formato da transação até o momento.

Contudo, a estatal reforçou que focará nas atividades naturais da Petrobras, no caso Exploração e Produção, e que deverá reduzir sua presença nos segmentos de transporte (denominados “midstream”) e refino e distribuição (denominados “downstream”);

Os analistas do Morgan Stanley destacaram que a Petrobras segue gerando um forte fluxo de caixa livre (FCF), apesar da branda produção no segundo trimestre. O fluxo de caixa livre foi positivo pelo 17º trimestre consecutivo, somando R$ 11,3 bilhões.

“Com menor intensidade de capital e foco claro no pré-sal de baixo custo, esperamos que o rendimento do FCF impulsione a ação, juntamente com a redução contínua da dívida”, destacaram, reforçando a recomendação de Overweight, com preço-alvo de US$ 19,00.

O Morgan Stanley destacou, porém, o resultado mais modesto no Ebitda foi impulsionado por menores resultados de refino e maiores custos no segmento de gás, ambos não essenciais para a empresa. 

“Continuamos confiantes na trajetória de crescimento da Petrobras em relação aos pares globais e os recentes desafios com as plantas de comissionamento de gás em Búzios não diminuem essa confiança”, ressaltou Morgan Stanley.

Também destacando como pontos positivos a geração de caixa e a redução no endividamento, Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, apontou ver risco-retorno atrativo para a estatal tendo em vista os vários eventos positivos no radar. 

Dentre eles, estão o comprometimento da empresa com a agenda de venda de ativos que podem gerar recursos entre R$ 77 bilhões e R$ 91 bilhões. O destaque fica para a venda de ativos de refino e gás natural.

Na mesma linha, o Goldman Sachs reforça o otimismo e aponta: o mercado não precificou o fluxo de caixa livre da empresa e nem o crescimento de produção. 

Desalavancagem e dividendos

Durante a teleconferência com os analistas de mercado, a gestão da estatal ainda manteve o discurso de que focará em redução da alavancagem e em exploração e produção. 

Quanto à perspectiva de proventos, o CEO da companhia, Roberto Castello Branco, afirmou que não planeja elevar a distribuição da Petrobras além do mínimo segundo a Lei das S.A. e o estatuto da companhia. 

Vale destacar que o Conselho de Administração da Petrobras aprovou, na noite de quinta-feira, a distribuição de R$ 2,61 bilhões de juros de capital próprio aos acionistas.

Castello Branco apontou ainda que, por ele, a companhia não pagaria dividendo algum. "Só deveria pagar quando a companhia recuperar de fato sua situação financeira", afirmou. 

A companhia ainda enfrenta muitos desafios, como de redução do seu endividamento, mas muitos progressos já foram feitos, o que guia a recomendação de compra das ações para a maior parte dos analistas.

Dos 13 analistas consultados pelo consenso Bloomberg, 11 têm visão de compra e apenas 2 possuem recomendação de manutenção. 

Cada vez mais, os analistas veem que a maior eficiência em suas atividades e a continuidade dos desinvestimentos em ativos não estratégicos têm um potencial de destravar valor adicional para a companhia - que ainda não está sendo precificado pelo mercado.

Invista com segurança: abra uma conta gratuita na XP!

 

 

Contato