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Petrobras tem balanço da virada após 4 anos desafiadores; mercado espera pelas próximas "balas de prata"

Geração de caixa e Ebitda recorde foram pontos positivos, corroborando boa visão dos analistas para as ações; mercado aguarda por avanço nas vendas de ativos e cessão onerosa 

Petrobras
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após quatro anos de desafios, 2018 finalmente representou uma virada para a Petrobras (PETR3;PETR4), que teve o seu primeiro resultado anual positivo desde 2013 ao lucrar R$ 25,8 bilhões no período, além de registrar resultados recordes em Ebitda (que superou em 6,6% o consenso de mercado) e fluxo de caixa livre.

E, conforme apontou o CEO Roberto Castello Branco em mensagem aos acionistas no relatório de resultados, o melhor pode ainda estar pela frente - algo que é corroborado pelo mercado. 

Entre os pontos destacados pelos analistas sobre o quarto trimestre, a Petrobras registrou uma geração de caixa após investimentos e pagamentos de juros de R$ 11,3 bilhões, patamar considerado positivo. Já a dívida líquida da Petrobras foi de R$ 326,1 bilhões ao final de 2018, uma redução de 7,6% em relação ao terceiro trimestre, enquanto a relação entre dívida Líquida e o Ebitda ajustado caiu para 2,33 vezes, ante o nível de 2,96 vezes no terceiro trimestre. 

"A geração de caixa continua sendo o principal pilar positivo, juntamente com a disciplina de capital. Isso deve permitir que a empresa conclua seu ciclo de desalavancagem e potencialmente aumente a remuneração do investidor", destaca o Morgan Stanley, que segue com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para os ativos. 

Vale destacar que os analistas de mercado ainda se debruçam sobre as principais linhas do balanço da companhia, uma vez que houve grandes cifras de não-recorrentes. 

Excluindo os itens especiais, caso do fechamento de acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) relacionado ao Parque das Baleias, o registro de impairment (perda no valor contábil de ativos) e perdas com contingências, o lucro líquido recorrente é de R$ 36 bilhões. No trimestre, o lucro líquido registrado foi de R$ 2,1 bilhões mas, se excluídos os itens especiais, o lucro seria de R$ 8 bilhões. 

Conforme ressaltou o Credit Suisse, o resultado de Petrobras pode ser considerado bastante forte e bem acima do consenso. O Ebitda de R$ 22,5 bilhões e o lucro de R$ 2,1 bilhões ficaram em linha com as estimativas dos analistas do banco mas, ao considerar os vários itens especiais o  Ebitda seria de R$ 31 bilhões, número cerca de 8% acima do consenso. Eles avaliam ainda que, quando ajustados os não recorrentes, o resultado parece surpreendente. 

Além dos números, o que guia a visão positiva são os próximos eventos que podem propiciar mais valorização para os ativos daqui para frente. 

"Continuamos a ter uma visão positiva sobre a Petrobras, com base em (1) ganhos com a execução do plano de venda de ativos, que nas nossas estimativas poderia gerar impactos positivos entre R$ 5 e R$ 6,30 por ação nos nossos preços-alvo, (2) potencial ressarcimento na revisão do contrato da cessão onerosa e (3) a continuidade do processo de recuperação da empresa, com a nova administração reforçando o compromisso com maiores eficiências e redução do endividamento", afirma a XP Investimentos. A equipe de análise reitera recomendação de compra para os ativos, com preços-alvo de R$ 31 para os ativos PN e R$ 30 para as ações ON.

Vale destacar que, em carta ao mercado, o CEO Roberto Castello Branco  ressaltou os feitos recentes da empresa, mas apontou que a estatal  não pode se "limitar à visão interna" e deve se superar.

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"Ampliando nosso horizonte para a indústria de petróleo global reconhecemos humildemente que estamos muito aquém do desejável. Não podemos nos conformar com a situação atual, havendo muito a fazer e muitos desafios a superar", afirmou. 

Para isso, ele apontou que a empresa se concentrará em cinco pilares estratégicos, sendo três deles destacados pelo Bradesco BBI: 1) melhor alocação de capital focada em ativos core e aumento da concorrência entre projetos de capital dentro da empresa; 2) maior geração de lucro econômico e retorno sobre o capital reduzindo o tempo de exploração, bem como aceleração de projetos; e 3) recuperar o grau de investimento rating, reduzindo os custos de capital e alavancagem.

Neste sentido, a equipe de análise do banco também mantém recomendação equivalente à compra (outperform) para os ativos com preço-alvo de R$ 37 para os ativos PN. "Nós vemos a Petrobras como um claro processo de desalavancagem para os próximos dois anos, ajudado pela forte geração de fluxo de caixa livre e venda de ativos", afirmam os analistas. 

Com isso, o Bradesco BBI vê o valuation da empresa se tornando altamente atraente para 2020 a 3,9 vezes a relação entre o valor de empresa e o Ebitda versus uma média dos pares de 4.5 vezes.

"Além disso, nós vemos alguns catalisadores transformacionais que, em nossa opinião, poderiam justificar uma reavaliação, como a recuperação do grau de investimento nos próximos anos e a venda potencial de refinarias, o que diminuiria a interferência dos futuros governos na empresa", avaliam os analistas.

Assim, o balanço da companhia foi considerado bastante positivo - e o mercado espera agora pelos próximos passos da estatal. O próximo catalisador está perto de acontecer, com os olhos se voltando agora para a cessão onerosa. 

 

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