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Petrobras mantém mercado nos EUA enquanto Lava Jato mira Houston

Negócios nos EUA continuam mesmo após demitir um de seus principais traders e suspender negócios com grandes comercializadoras internacionais

Petrobras
(André Valentim / Banco de Imagens Petrobras)

(Bloomberg) -- A Petrobras disse que manterá estáveis os níveis de comercialização de petróleo e derivados nos EUA, mesmo após demitir um de seus principais traders e suspender negócios com grandes comercializadoras internacionais em meio a investigações da Lava Jato.

A Petrobras demitiu Rodrigo Berkowitz, que atuava como trader da estatal no escritório em Houston, e abriu de uma ampla investigação interna após a Polícia Federal indiciar a ele e outros funcionários de receber propina em contratos de negociação de petróleo. A Justiça brasileira pediu a prisão de Berkowitz em 3 de dezembro. Segundo policiais, ele usava o codinome “Batman” em suas atividades ilegais.

”As operações de trading nos Estados Unidos não foram impactadas de forma relevante”, afirmou a estatal em resposta a perguntas enviadas por email. ”A Petrobras não tem qualquer intenção de reduzir operações de comercialização de combustíveis naquele país.”

Outros ex-funcionários da Petrobras, intermediários e operadores foram denunciados pela Operação Lava Jato por acertar propinas com representantes de tradings como Trafigura, Glencore e Vitol Group em contratos com a companhia. Os negócios com essas empresas foram temporariamente suspensos, informou a Petrobras em 20 de dezembro. Um operador de gás liquefeito de petróleo (GLP) também foi dispensado pela Petrobras.

A Vitol afirmou que está colaborando com as autoridades brasileiras e que seria inadequado comentar acusações específicas. A Trafigura declarou que as acusações são sérias e direcionou a reportagem para um comunicado no qual nega que a direção tinha qualquer conhecimento do suposto esquema. A Glencore comunicou que leva ética e conformidade a sério e que está cooperando com a investigação.

Lista da Interpol

Berkowitz continua em Houston, Texas. O trader está incluído na lista de suspeitos da Interpol e é considerado procurado pela Lava Lato.

Seu pai, o consultor de negócios Paulo Cesar Berkowitz, foi preso pela polícia brasileira em 5 de dezembro, sob a suspeita de ajudar o filho a lavar dinheiro por meio de uma conta offshore no Uruguai.

O pai confirmou ter movimentado aproximadamente R$ 3,4 milhões, mas disse desconhecer a origem ilegal do dinheiro, tendo se surpreendido com a informação, segundo petição apresentada à Justiça do Paraná pelo advogado João Francisco Neto.

Paulo Cesar Berkowitz está detido em Curitiba. Neto informou que a Justiça autorizou a libertação de seu cliente sob pagamento de multa de R$ 5 milhões, que está sendo contestada pela defesa. Não foi possível encontrar Rodrigo Berkowitz.

Propina para participar

Ex-executivos da Petrobras que fizeram acordos de delação premiada com a promotoria afirmam que o esquema com as tradings internacionais existe desde a década de 1990. O caso ainda está sendo investigado.

A Petrobras confiscou equipamentos de Rodrigo Berkowitz, incluindo um iPhone 7 e o hard drive do computador da mesa dele em Houston, e entregou para a PF, segundo documento divulgado no website do tribunal em 14 de janeiro. A empresa pediu cópias dos dados para auxiliar sua investigação interna.

Berkowitz devolveu o iPhone quando foi demitido, mas se negou a dar a senha do aparelho, afirmou a Petrobras em documentos judiciais. A Petrobras também entregou cartões de visita, papéis e notebooks dele.

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