Em petrobras

Petrobras: dividendos não devem mudar e baixas dependerão de dados sobre corrupção

Estatal divulga dados contábeis e ainda comentará sobre adiamento de resultados

Graça Foster - balanço Petrobras
(Tânia Rêgo/ABr)

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3;PETR4) realizou teleconferência no final da manhã desta segunda-feira (17) em que comentou os resultados operacionais e deu informações sobre o adiamento da divulgação das demonstrações contábeis.

Na teleconferência, os diretores ressaltaram que a discussão é pré-matura, mas não espera mudança nos dividendos e ainda afirmou que a companhia quer ser reconhecida também pela sua governança, além do seu maior progresso técnico. A companhia ainda informou que pretende criar a diretoria de governança e compliance e que adotou 60 medidas para melhorar a governança. A companhia ainda destacou que as eventuais baixas contábeis serão proporcionais aos dados de propina registradas. 

Confira os principais pontos da teleconferência: 

Graça Foster
A presidente da companhia Graça Foster iniciou a teleconferência destacando porque houve o adiamento dos resultados da Petrobras.

"Neste dia de hoje em condições normais, teriamos um único assunto, mas teremos dois assuntos: demonstrações contábeis da Petrobras e resultados operacionais. Porém, a companhia  não está pronta para divulgar as demonstrações contábeis, pois as denúncias recentes da Operação Lava Jato podem impactar os resultados da Petrobras". 

Ela destaca que houve um fato marcante do dia 8 de outubro de 2014, que foram os depoimentos de Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, que revelaram informações que podem afetar a contabilidade da companhia. Graça destacou que está havendo 60 medidas relevantes para melhorar o processo de gestão da companhia de forma a averiguar normas e procedimentos.

Graça ressaltou que houve a contratação no final de outubro de dois escritórios de advocacia independentes especializados em investigação, medidas jurídicas para ressarcir supostos recursos desviados. Além das 60 ações relevantes, mais 6 estão em processo de implementação. "Essas 66 ações de gestão foram encaminhadas aos auditores externos e aos escritórios de investigação independente para auxiliar suas análises". 

"A Petrobras vem trabalhando de forma exaustiva e adotando diversas providências de controle interno", afirmou. Entre uma das medidas mais relevantes, afirma a presidente, é que a estatal recebeu autorização para criação de uma diretoria de compliance. 

Sobre os dados de produção, Graça ressaltou os dados da companhia, que mostrou a maior produção histórica de petróleo no Brasil em outubro de 2014. 

Graça encerrou a sua fala, registrando a crença na importância diretoria de compliance. "Queremos mais do que que respeito técnico, mas também na governança da Petrobras", afirmou. 

José Miranda Formigli 
O diretor de petróleo, gás e biocombustíveis da empresa, José Miranda Formigli destacou o aumento da produção, com o ramp-up em meio às interligações dos poços P-55, P-58, P-62 e a FPSO Cidade de Paraty.

O resultado operacional também foi importante, destacou, com o início do TLD de Iara Oeste e do SPA da Tartaruga Verde. Formigli destacou que não estão trabalhando somente no aumento das plataformas, mas também na qualidade dos PLSVs. "Aumentamos a frota, estamos aumentando a frota e estamos diminuindo o tempo não-produtivo", afirma Formigli. 

O diretor destacou que o crescimento de produção em 2014 deve ser de 5,5% a 6%. A companhia encerrou 2013 com produção de 1.931 (mbpd). A petrolífera deve encerrar o ano com uma frota de 19 navios. 

Ele ainda ressaltou o aumento da oferta de gás natural no Brasil e do aumento da exportação de petróleo. 

José Carlos Cosenza
O diretor de abastecimento da Petrobras destacou o aumento de 4% na produção de derivados no terceiro trimestre de 2014 ante o mesmo período do ano passado. Para o quarto trimestre, a expectativa é de aumento da produção de diesel por conta da entrada da Rnest e hidrotratamento da REFAP. 

Almir Barbassa
O diretor financeiro Almir Barbassa ressaltou que as demonstrações contábeis não revisadas justifica-se pelo dever de informar, agindo com diligência e transparência. De acordo com ele, os dados refletirão a situação patrimonial da Petrobras à luz dos fatos conhecidos até a sua divulgação, mas não substitui o dever de revelar os resultados. 

Barbassa ressaltou que as agências de risco serão informadas dos motivos pelos quais a companhia não divulgou as demonstrações contábeis revisadas referentes ao terceiro trimestre dentro do prazo legal, assim como das ações que vêm sendo tomadas pela companhia. Tão logo haja uma definição, a companhia comunicará a data de divulgação com antecedência de 15 dias.  

Perguntas de analistas
Perguntado como serão feitos os ajustes contábeis se comprovados os desvios na Petrobras, Barbassa respondeu que serão feitos ao preço justo do imobilizado adquirido. Se houve algum pagamento além do que seria o preço justo de qualquer bem ou serviço, esse valor deverá ser retirado do imobilizado e levado a resultados. Pode ser um ativo comprado ou projeto, que tenho tido pagamento de preço excessivo.

A analista de petróleo do Itaú BBA, Paula Kovarksy, destacou que a empresa normalmente capta valores relevantes no exterior no primeiro trimestre e perguntou: "existe alguma restrição enquanto ainda não tiver informações auditadas?" Barbassa ressaltou que certamente: "precisamos de carta de auditores para ter qualquer emissão. Temos que trabalhar para produzir o relatório revisado o mais rapidamente possível e operar o mais rapidamente possível". Barbassa ressaltou ainda que a companhia não pretende fazer emissão de ações este ano. 

Já Graça Foster ressaltou que a estatal vai usar provas da PF para fazer as baixas contábeis. "Nós temos um cronograma de atividade e temos prazo para fechamento dessas atividades, perdas causadas por frauda de forma objetiva a nossa referencia são os depoimento e provas emprestadas e encaminhadas pela Polícia federal, vamos usar essas provas para fazer essas baixas", afirmou.

Perguntados se esperam que haja um efeito no dividendo, principalmente queda dos proventos das ações ordinárias, os diretores da Petrobras ressaltaram que é pré-maturo falar sobre o assunto, mas que não esperam mudanças nos dividendos. 

Graça ressaltou que vê no médio prazo as questões resolvidas em relação ao balanço. "Do mesmo jeito que a gente vem perseguindo as unidades de produção, a gente está perseguindo as normas para ter os dados auditados. Ao que cabe a nós, a gente não considera ter aceleração de dívida por conta do balanço não auditado". 

Perguntada sobre a mudança do preço do petróleo, Graça ressaltou que em relação ao Plano de Negócios 2014-2018 já colocava um real mais depreciado e vê que o preço do brent está na média do que está colocado, chegando a 2018 a US$ 85 o barril.

"Neste momento que importamos derivados um brent menor é bom e é importante que recuperemos perdas. Na revisão do plano, com brent mais baixo e real mais depreciado, nós teremos uma diferença nas nossas receitas. A partir do ano que vem nos tornaremos exportadores líquidos e real depreciado e brent maior será mais positivo para nós", afirmou.

Graça Foster ressaltou que houve um pequeno reajuste e afirmou que espera mais reajustes, não em percentuais maiores, com frequência maior para recompor o caixa. "A variação de brent é recente, assim como a variação do real, o que estamos vendo com muito cuidado", ressaltou a presidente. 

Sobre o possível impairment em Abreu e Lima, a presidente Graça Foster ressaltou que a empresa é obrigada a baixar do ativo o custo da corrupção, independentemente da recuperabilidade do ativo. "Ainda que possa pagar,  tem que descontar o custo por conta da corrupção". 

A Petrobras poderá realizar eventuais baixas contábeis em seus ativos de acordo com o tamanho das propinas pagas na contratação das obras, tomando como base provas entregues à Justiça no âmbito da operação Lava Jato, da Polícia Federal, disseram Graça e Barbassa. 

A Petrobras vai pagar multa de R$ 500 por dia por conta do atraso da divulgação dos resultados. Para administração, poderá ter um projeto sancionador. A companhia destacou que, em relação à SEC (equivalente a CVM nos EUA) deve-se arquivar lá o que for demandado para arquivar no Brasil". 

Com relação algum impacto em contratos em vigor, a Petrobras afirmou que não trabalha com essa possibilidade e que revisões de contratos com práticas não adequadas serão corrigidas. Contudo, não haverá interrupção de contratos. "Onde houver identificação de prejuízos, nós vamos buscar esses prejuízos", afirmou.

A petrolífera ressaltou que está programando para esta semana reuniões com agências de rating para explicar o que levou ao adiamento dos resultados.  

De acordo com Graça, a Petrobras não tem razões para antecipar a divulgação de seu plano plurianual de investimentos para o período de cinco anos, em meio a denúncias de corrupção em obras da estatal nos últimos anos, e deverá fazer o anúncio provavelmente entre abril e maio de 2015.

Graça Foster ressaltou que eventuais denúncias de corrupção que envolva sondas de perfuração não vão gerar baixas contábeis na companhia, por que a companhia tem contratos de afretamento. 

Perguntada sobre a diretoria de compliance, Graça ressaltou que vai ter uma primeira apresentação sobre a diretoria e que não pode dar mais detalhes, mas que não é muito diferente de outras companhias e que também passaram por um processo penoso. "Queremos ter o mesmo respeito do mercado em termos de governança do que em relação aos termos técnicos". 

Graça ressaltou que a "Petrobras está correndo contra o tempo para fazer deste momento difícil uma empresa muito melhor. Passamos por um momento bastante trabalhoso, bastante difícil na companhia, doloroso, mas temos convicção de que vamos ter uma gestão melhor e temos convicção de que vamos conseguir implementar diretoria de compliance. Tivemos um resultado excepcional, temos todos os recursos críticos que não tínhamos a 2, 3 anos atrás. Queremos produzir mais petróleo e mais transparência para os seus acionistas". 

Os números da Petrobras
A Petrobras divulgou seus números operacionais no último sábado, com alta na produção de petróleo no Brasil de 9% acima do mesmo período de 2013 no Brasil, atingindo a média de 2,090 milhões de barris por dia (bpd).

O pré-sal manteve bom desempenho, alcançando novo recorde de produção em 28 de outubro, quando foram registrados 640 mil bpd no pré-sal das bacias de Campos e Santos, com 31 poços produtores. Essas vazões incluem a parcela operada pela Petrobras para empresas parceiras.

Já a produção de derivados nas refinarias do País atingiu 2,204 milhões bpd no terceiro trimestre, 4% maior que a produção do ano anterior. A carga processada chegou a 2,138 milhões de bpd, sendo 80% do volume total de petróleo processado provenientes de campos brasileiros. Óleo diesel e gasolina representaram 62% de todo o volume produzido nas refinarias.

 

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