Thiago Ávila: quem é o ativista preso por Israel em missão humanitária a Gaza

O ativista é uma das maiores vozes brasileiras a mobilizar campanhas coletivas em prol dos direitos humanos mundo afora

Imagem de Thiago Ávila em embarcação
Imagem: Instagram de Thiago Ávila

Na noite de 8 de junho, domingo, o barco Madleen, da Coalizão Flotilha da Liberdade, foi interceptada pelo exército israelense quando tentava chegar à Gaza com ajuda humanitária. Entre os ativistas a bordo, estava o brasileiro Thiago Ávila que, há anos, organiza e participa de missões humanitárias ao redor do mundo.

Pouco depois da interceptação, começaram a circular vídeos de todos os participantes da missão palestina. Em seus respectivos idiomas, os 12 ativistas que estavam no barco mandaram a mesma mensagem:

“Se você está assistindo a este vídeo, isso significa que eu fui detido ou sequestrado por Israel ou por forças de apoio ao país. Nesse caso, eu faço um apelo urgente para que você pressione o meu governo e aliados para que ajam imediatamente pela nossa libertação.”

Até terça-feira (10), quatro ativistas haviam assinado documentos consentindo a deportação –  entre eles, a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que também estava na embarcação. Segundo informações da Flotilha, quem não assinasse os documentos de deportação seria levado a um tribunal. Foi o caso de oito ativistas que permaneceram em território israelense.

“Aqueles que não consentiram em ir embora permanecem em detenção, e comparecerão diante de um tribunal. A consultoria jurídica argumentará que a interceptação foi ilegal, as detenções arbitrárias, que os voluntários devem ser libertados sem serem deportados, e que os voluntários sejam autorizados a retornar para a Madleen, para completar sua legal missão a Gaza”, publicou a Freedom Flotilla Brasil em sua página no Instagram.

Quem é Thiago Ávila?

Thiago de Ávila e Silva Oliveira é um ativista humanitário nascido em Brasília, em 26 de agosto de 1986. Casado com Lara Souza, também ativista, com quem tem uma filha de 1 ano.

Formado em Comunicação Social, Thiago desde cedo se envolveu com projetos sociais e humanitários. Sua grande inspiração social veio em 2006, quando presenciou a vitória de Evo Morales na Colômbia. A partir daí, começou a percorrer vários lugares no mundo para conhecer projetos sociais e atuar nas brigadas humanitárias.

Thiago Ávila chegou a participar de duas candidaturas coletivas pelo Psol no Distrito Federal, em 2018 e 2022, mas não foi eleito. Com mais de 860 mil seguidores no Instagram, é uma das maiores vozes brasileiras a mobilizar campanhas coletivas em prol dos direitos humanos.

Atuação social

Além da Palestina, estão entre os locais já percorridos pelo ativista Líbano, Venezuela, México e Cuba. Nos últimos anos, Thiago tem coordenado as brigadas e caravanas de solidariedade a Cuba, que costumam levar mais de 100 brasileiros a cada edição. O grupo leva doações e percorre boa parte da ilha caribenha de ônibus, para conhecer a história do país, as políticas públicas e realizar trabalhos voluntários.

Thiago também fundou o Movimento Bem Viver, que busca a harmonia entre natureza e sociedade, por meio do cuidado com biomas nacionais e mutirões em comunidades, a exemplo do que praticam os povos originários. Também participou da criação dos coletivos Insurgência, em 2013, e Subverta, em 2017.

Durante a pandemia, organizou um mutirão que conseguiu arrecadar R$ 450 mil e distribuir mais de seis mil cestas agroecológicas para comunidades por meio do “Mutirão do Bem Viver”. O projeto comprava cestas de pequenos produtores para levar a famílias em situação de fome em diversos estados brasileiros.

Prisão em Israel e deportação

Mesmo sem ter assinado a deportação, se espera que Thiago Ávila retorne ao Brasil de forma forçada nos próximos dias.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou estar acompanhando atentamente a situação do ativista, inclusive com agentes consulares designados durante o processo de deportação.

O órgão também afirmou que mantém contato com a família do ativista, para dar informações atualizadas sobre a situação. Na segunda, 9 de junho, Lara foi recebida pela Secretaria-Geral das Relações Exteriores em Brasília, em companhia das deputadas federais Erika Kokay e Natália Bonavides e do deputado distrital do DF Fábio Félix.