| Nome completo: | Pablo Henrique Costa Marçal |
| Data de nascimento: | 18 de abril de 1987 |
| Local de nascimento: | Goiânia (GO) |
| Formação: | Bacharel em Direito |
| Ocupação: | Investidor, empresário, escritor, influenciador digital e político |
| Partido: | Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) |
Aos 39 anos, completados em abril deste ano, o empresário Pablo Marçal quer ser presidente do Brasil do Brasil a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo que até o momento seja considerado inelegível pela Justiça Eleitoral.
Fenômeno nas redes sociais com mais de 10 milhões de seguidores apenas no Instagram, o investidor, escritor e influenciador digital apresentou novamente sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) no último dia possível: 15 de agosto.
A candidatura só foi viabilizada após uma liminar da Justiça eleitoral permitir a saída de Marçal do União Brasil e sua refiliação ao PRTB, partido pelo qual concorreu, em 2024, à prefeitura de São Paulo.
A liminar em 1ª instância permitiu que o candidato fosse registrado, de forma retroativa, pelo PRTB como postulante nas urnas em outubro, mas Marçal ainda deverá aguardar que o Tribunal Superior Eleitoral analise se o registro da candidatura pode ser aprovado.
Por que Pablo Marçal conseguiu registrar candidatura mesmo inelegível
Disputa em São Paulo o tornou inelegível até 2032
A disputa pela prefeitura de São Paulo em 2024 trouxe um saldo negativo ao candidato do PRTB. Com uma postura ímpar e incondizente com o código eleitoral, Marçal acumulou condenações que o tornaram inelegível até 2032.
A maior pena foi resultado da promoção de um “campeonato de cortes”, estratégia utilizado pelo ex-coach para estimular os eleitores a produzirem vídeos curtos “recortando” suas falas em debates e entrevistas, com o intuito de viralizar nas redes sociais.
Na prática, a ideia permitia que os conteúdos disseminados pudessem ser impulsionados financeiramente por terceiros, além de dificultar o rastreio e a fiscalização da origem e do destino dos recursos empregados em uma espécie de ‘campanha eleitoral paralela’.
Apesar do sucesso, como a campanha prometia um prêmio em dinheiro, a jogada foi considerada abuso de poder político e econômico pela justiça eleitoral de São Paulo.
Campanha turbulenta
Além do campeonato de cortes, a campanha eleitoral de Marçal foi marcada pelo estilo agressivo do candidato nos debates. O ex-coach adotou uma postura provocativa contra todos os candidatos ao posto, mesclando ataques pessoais com afirmações vagas, que abriam margem para interpretação dúbia do eleitorado.
Entre as acusações mais graves, Marçal reiteradamente sugeriu, com gestos e comparações de duplo sentido, que o então candidato Guilherme Boulos (PSOL), seria usuário de drogas.
A campanha agressiva do ex-coach fez com que outros candidatos mudassem a estratégia eleitoral e utilizassem as redes sociais para combater as acusações. Em especial, a candidata Tabata Amaral ganhou destaque na época por construir um ‘dossiê’ contra o empresário, revelando os bastidores dos seus negócios e expondo fragilidades no discurso promovido pelo ex-coach.
O episódio mais crítico da disputa eleitoral em São Paulo ocorreu em 15 de setembro de 2024, durante o debate da TV Cultura, em que, após uma série de provocações de Marçal contra José Luiz Datena, incluindo referências a uma antiga acusação de assédio sexual contra o apresentador, o candidato pegou uma cadeira e partiu para a agressão física contra o empresário.
Na reta final do primeiro turno, em 4 de outubro do mesmo ano, Marçal utilizou suas redes sociais para divulgar um suposto laudo médico de Boulos, que relacionava o candidato ao uso de cocaína.
O documento posteriormente foi identificado como falso e levou a suspensão temporária do perfil de Marçal no Instagram, além de outros desdobramentos na Justiça.
Escândalos antes da política
Nascido em Goiânia (GO), no dia 18 de abril de 1987, Pablo Henrique Costa Marçal ganhou projeção nacional, catapultado pela força das redes sociais, vendendo cursos de desenvolvimento pessoal – atuando como “coach”.
Marçal se tornou ainda mais conhecido em 2022, quando foi protagonista de uma “expedição” ao Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira (SP) – mais de 2,4 mil metros acima do nível do mar –, que terminou com o socorro do Corpo de Bombeiros devido ao risco às mais de 30 pessoas que participavam da trilha. Todos foram resgatados.
Pré-candidato a presidente em 2022
Em 2022, o coach lançou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PROS e chegou a ter seu nome testado em pesquisas de intenção de voto, surpreendendo analistas, candidatos e partidos políticos.
Divergências internas envolvendo dirigentes do PROS, no entanto, fizeram naufragar a tentativa de Marçal de concorrer ao Planalto. A legenda decidiu apoiar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, contrariando o próprio partido, o coach declarou que votaria no então presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.
Ainda em 2022, após ter a candidatura barrada à Presidência, Pablo Marçal partiu para o “plano B” e tentou disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, pelo estado de São Paulo. Ele obteve 243 mil votos, terminando entre os 20 mais bem colocados, mas não foi eleito após uma decisão da justiça eleitoral.
No dia 30 de outubro de 2022, Marçal teve a candidatura impugnada pelo então ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Lewandowski.
Supostas acusações
O nome de Pablo Marçal também esteve envolvido em acusações e investigações. Em 2010, o empresário foi apontado como suposto participante de um grupo que teria desviado dinheiro de bancos em meados de 2005 – na época, ele tinha 18 anos.
O grupo criava sites falsos de instituições financeiras, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, e mandava e-mails acusando pessoas, falsamente, de inadimplência. Os criminosos roubavam dados e informações das vítimas e, ainda, “infectavam” computadores e dispositivos digitais com programas conhecidos como “cavalos de Troia”.
Marçal reconheceu que chegou a colaborar com o grupo, mas sempre garantiu não ter conhecimento de qualquer ilegalidade praticada. Ele foi condenado, mas teve a pena extinta em 2018, por prescrição retroativa.
Em 2023, Marçal foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que apurava crimes eleitorais e de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e apropriação indébita de recursos.
Na ocasião, o coach afirmou que “nenhum ilícito foi praticado e nenhum centavo de dinheiro público foi utilizado nas campanhas eleitorais”. Segundo ele, as despesas de sua pré-campanha foram pagas com recursos próprios ou por doações. O empresário, à época, se disse alvo de “perseguição política”.