Empresário e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atravessa há mais de duas décadas o debate político brasileiro. Desde o primeiro mandato do pai, seu nome aparece em investigações, disputas judiciais e embates entre governo e oposição.
Agora, voltou ao centro das atenções após a abertura de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), todos derivados de elementos reunidos pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto.
As novas investigações apuram suspeitas de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em negociações envolvendo órgãos do governo federal. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
Da Biologia ao mundo dos negócios
Formado em Biologia pela Universidade Paulista (Unip), Lulinha iniciou a vida profissional como monitor no Zoológico de São Paulo. A projeção nacional veio durante o primeiro mandato de Lula, quando passou a atuar no setor de tecnologia e entretenimento.
Ele tornou-se sócio da Gamecorp, posteriormente rebatizada como G4 Entretenimento. A empresa recebeu investimentos milionários da então Telemar, posteriormente Oi, e passou a produzir conteúdo para televisão, telefonia e internet.
A expansão dos negócios despertou questionamentos políticos e jurídicos sobre a origem dos investimentos e a influência do sobrenome presidencial nas relações comerciais. Ao longo dos anos, porém, nenhuma condenação criminal foi imposta ao empresário nesses casos.
As investigações anteriores
O empresário também foi alvo de apurações durante a Operação Lava Jato. Na época, investigadores levantaram suspeitas sobre contratos da Gamecorp e aportes financeiros recebidos da Telemar.
O caso alimentou uma série de disputas políticas, mas os processos acabaram arquivados ou anulados após decisões judiciais posteriores, sem condenação definitiva contra Lulinha.
Ao longo dos últimos anos, seu nome voltou a aparecer esporadicamente em investigações e comissões parlamentares, embora nem sempre figurasse formalmente como investigado.
O que pesa contra ele agora
O novo capítulo começou com a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS. Embora Lulinha não seja investigado pelas fraudes contra beneficiários da Previdência, a Polícia Federal afirma ter encontrado elementos que justificaram a abertura de três inquéritos distintos sobre sua atuação junto a órgãos do governo federal.
O primeiro, autorizado pelo ministro André Mendonça em 30 de julho, investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde.
No dia seguinte, Mendonça autorizou um segundo inquérito para apurar uma suposta atuação em favor de empresários interessados em contratos com a Dataprev e outros órgãos federais. Nesse procedimento, a PF apura possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Já nesta semana, o ministro Flávio Dino autorizou um terceiro inquérito. A nova investigação busca esclarecer a atuação de um grupo que, segundo a Polícia Federal, teria mantido negócios ilícitos em diferentes áreas do governo federal.
A ligação com o caso do INSS
As investigações têm origem em mensagens, documentos e outros elementos apreendidos durante a Operação Sem Desconto. Entre os personagens centrais está o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025. A PF também investiga a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.
Segundo a investigação, Roberta teria atuado em negociações envolvendo produtos à base de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. A Polícia Federal busca esclarecer se houve atuação de Lulinha para facilitar contatos entre empresários e integrantes do governo.
A defesa do empresário afirma que ele não participou das fraudes investigadas na Operação Sem Desconto, não recebeu recursos provenientes do esquema e nega qualquer prática ilícita. Também sustenta que as relações comerciais mencionadas nas investigações eram lícitas e que irá demonstrar sua inocência ao longo dos inquéritos.