Por que tantas empresas ainda fracassam na transformação digital e o que falta mudar

Durante o Sankhya Connection 2025, Eduardo Oliveira, da GoDeep e Victor Maglio, do GPA, discutiram como dados e cultura digital impulsionam as vendas online

Daniel Navas

Da esquerda para direita: Eduardo Oliveira, CEO da GoDeep, Lucas Brum, sócio e head de growth da Flowbiz e Victor Maglio, diretor de e-commerce do GPA - (Foto: Divulgação)
Da esquerda para direita: Eduardo Oliveira, CEO da GoDeep, Lucas Brum, sócio e head de growth da Flowbiz e Victor Maglio, diretor de e-commerce do GPA - (Foto: Divulgação)

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O e-commerce brasileiro movimentou cerca de R$ 204 bilhões em 2024, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM). Foram mais de 414 milhões de pedidos realizados por 91 milhões de consumidores — números que colocam o Brasil entre os mercados digitais mais maduros do mundo.

Mesmo assim, grande parte das empresas ainda tropeça na transformação digital.

A contradição ficou em evidência durante o Sankhya Connection 2025, evento de inovação em gestão promovido pela Sankhya, que reuniu especialistas para discutir o tema na palestra “E-commerce exponencial: dados, jornadas e conversão”.

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Conduzido por Eduardo Oliveira (CEO da GoDeep), Lucas Brum (sócio e head de growth da Flowbiz) e Victor Maglio (diretor de e-commerce do GPA), o painel trouxe uma conclusão comum: a tecnologia é apenas parte da equação.

O verdadeiro diferencial está na cultura digital, na capacidade de interpretar dados e na mudança de mentalidade necessária para decidir melhor e evoluir com velocidade.

Brasil entre os mais maduros, mas ainda com gargalos no B2B

“A gente fala de e-commerce B2B como se fosse algo novo, mas não é bem assim. Essa entrada da indústria no comércio eletrônico vem da maturidade – ou da imposição – do próprio mercado”, afirma Eduardo Oliveira, da GoDeep.

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De acordo com o especialista, o Brasil já figura entre os cinco mercados mais desenvolvidos de e-commerce no mundo, à frente de regiões tradicionalmente vistas como referência, como a Europa, por exemplo.

Apesar do avanço, o executivo observa que o segmento B2B ainda enfrenta lacunas estruturais, especialmente na qualificação de profissionais. Para Oliveira, a transformação digital precisa ser entendida como um movimento interno de maturidade organizacional, e não apenas como uma presença online.

“A indústria cai na armadilha de achar que o único caminho para digitalizar é atender o cliente final. Mas a transformação precisa estar em todos os setores, do financeiro à logística.”

— Eduardo Oliveira, CEO da GoDeep,

Cultura digital começa no topo

Na visão de Victor Maglio, diretor de e-commerce do GPA, não há e-commerce forte sem uma cultura digital forte.

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“Não adianta ter ferramenta, profissional engajado e cliente querendo comprar se o dono da empresa não quiser o digital como cultura.”

— Victor Maglio, diretor de e-commerce do GPA

O executivo exemplifica com a própria realidade do grupo. “No GPA, a primeira pessoa que me pergunta sobre as vendas no digital é o CEO. Hoje, o digital é estratégico para o negócio”, diz.

De acordo com Maglio, o primeiro passo para o sucesso digital é a decisão de liderar essa mudança de dentro para fora.

“Se você não está vendendo no digital, alguém está vendendo para o seu cliente”, provoca, destacando o papel da liderança em sustentar essa transição.

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Decisões baseadas em dados

Maglio também compartilha uma virada estratégica no GPA que nasceu da análise de dados: o grupo percebeu que muitos clientes abandonavam o carrinho de compras no e-commerce por não encontrarem produtos perecíveis, que eram disponíveis apenas nas lojas físicas.

“Com esses dados em mãos, tomamos uma decisão dura: migramos 100% da operação dos Centros de Distribuição para as lojas”, conta.

A mudança aproximou o varejo dos consumidores e gerou um novo perfil de vendas.

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“Hoje, cerca de 36% das vendas vêm de perecíveis. E o ticket médio do digital é maior do que o das lojas físicas. Tudo isso com base em dados.”

O exemplo, então, reforça que dados não são apenas relatórios, mas motores de decisões estruturais capazes de redefinir modelos de negócio inteiros.