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Rendimento do Tesouro Selic supera o FGTS em quase quatro vezes nos últimos 10 anos

Governo vai possibilitar que trabalhadores saquem dinheiro de uma das aplicações com menor rendimento

Equipe InfoMoney

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Em uma de suas últimas ações para o ano de 2016, o Governo anunciou a possibilidade de a população sacar o dinheiro alocado no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Para quem não precisar quitar dívidas e quiser manter o valor rendendo, essa é uma boa oportunidade para trocar de aplicação.

Isso porque uma das principais críticas ao FGTS se deve à baixa rentabilidade desse investimento, atualmente calculada por uma parcela fixa de 3% ao ano mais um rendimento variável definido pela Taxa Referencial. “Nós recomendamos que você resgate esse dinheiro e realize aplicações que tragam retornos mais interessantes, podendo usar seus recursos para diversos objetivos, como por exemplo iniciar uma previdência privada”, afirma Roberto Indech, analista de investimentos da Rico.

A diferença ao trocar de investimento pode chegar a quantias significativas. Segundo cálculos feitos por Indech, durante a última década o melhor ano do FGTS gerou rendimento de 5%, enquanto no pior momento o retorno foi de apenas 3,2%. Esses patamares significam que o dinheiro perdeu para a inflação, ou seja, o mesmo dinheiro passou a comprar menos produtos ao longo do tempo.

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No acumulado dos últimos 10 anos, o retorno do FGTS foi inferior a 50%. Paralelo a isso, a inflação medida pelo IPCA desde janeiro de 2006 acumula nível superior a 80%. Se o investidor aplicasse no título público Tesouro Selic, considerado como uma das opções mais conservadoras do Tesouro Direto, o retorno seria próximo a 190% nesse mesmo período, quase quatro vezes acima do verificado pelo FGTS.

Ao trocar as porcentagens por números, de acordo com os cálculos do analista da Rico, isso significa que um trabalhador que tivesse R$ 10 mil retidos no FGTS ao final de 2006 teria um valor ligeiramente acima de R$ 14,9 mil atualmente. Se o dinheiro fosse investido no Tesouro Selic durante o mesmo período, o montante seria de R$ 28,8 mil. Ou seja, uma diferença de quase R$ 14 mil.

A possibilidade de saque dos recursos no FGTS foi anunciada pelo presidente Michel Temer no dia 22 de dezembro. Todos que tiverem contas inativas do FGTS até 31 de dezembro de 2015 poderão fazer o saque, o que abrange mais de 10 milhões de pessoas, segundo levantamento do próprio Governo. O valor depositado pelo emprego atual do trabalhador, no entanto, não entra nessa conta.

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Até então, os trabalhadores poderiam resgatar esse dinheiro em casos como demissão sem justa causa ou para comprar um imóvel. Se fossem demitidos por justa causa ou pedissem demissão, era preciso esperar até três anos para conseguir sacar o dinheiro. Estima-se que essa mudança injete até R$ 30 bilhões na economia, mas o cronograma com as datas para que o trabalhador possa sacar o saldo ainda será publicado pela Caixa Econômica Federal em 1º de fevereiro.

FGTS próximo da Poupança

Ao publicar a medida provisória 763/16 um dia depois do anúncio de Temer, o Governo também revisou a metodologia para calcular a rentabilidade do FGTS. A partir de agosto de 2017, o trabalhador terá direito a 50% do que os recursos do fundo renderem em aplicações financeiras. Segundo o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, isso deverá fazer com que os ganhos fiquem próximos a 5% a 6% ao ano mais a Taxa Referencial, atingindo porcentual próximo ao que a Poupança rende atualmente.

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Ainda assim, a própria Poupança apresenta rendimento bastante inferior ao de diversas outras aplicações de renda fixa. A taxa DI, que serve de referência para a maioria desses investimentos, gira em torno de 13,6% ao ano atualmente.

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