XP promove aumento “disciplinado” do risco nas carteiras após o 1º turno

Casa reduz peso do pós-fixado e amplia exposição a ativos domésticos, mas avalia que a continuidade do movimento depende do 2º turno e de sinais concretos sobre a agenda fiscal

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A XP Investimentos ajustou as recomendações após o resultado do 1º turno das eleições, com redução da parcela em renda fixa pós-fixada e aumento “disciplinado” da exposição a ativos mais sensíveis ao cenário doméstico. A casa avalia que a votação elevou a probabilidade de uma agenda mais favorável ao equilíbrio fiscal, mas ressalta que a definição do cenário ainda depende do 2º turno, em 25 de outubro, e da capacidade de implementação de medidas pelo próximo governo.

Os ajustes retiram peso da renda fixa pós-fixada nas três carteiras (Conservadora, Moderada e Sofisticada) e redistribuem os recursos para prefixados e, dependendo do perfil, para renda variável Brasil e fundos listados. Já a carteira global, voltada a investimentos em dólar, permanece inalterada.

Os títulos prefixados concentram a maior parte do aumento. A fatia da classe sobe 6 pontos percentuais na carteira Conservadora, 4 pontos na Moderada e 5,5 pontos na Sofisticada, que passam a ter, respectivamente, 12%, 15% e 15% do patrimônio nesses títulos.

Para a casa, se a percepção de uma dinâmica fiscal mais equilibrada for confirmada nas próximas semanas, os prefixados “tendem a estar entre os principais beneficiados”, com potencial de valorização pela redução dos prêmios de risco e pelo fechamento dos juros futuros. A XP cita ainda que, historicamente, o IRF-M, índice que acompanha os títulos públicos prefixados, rende em média 14,2% nos 12 meses seguintes a momentos em que o mercado antecipa um ciclo de queda da Selic, ante 11,4% do pós-fixado.

A carteira Conservadora segue com 63% em pós-fixados e sem exposição à Bolsa brasileira, enquanto a renda variável local aparece com posição neutra. Na Sofisticada, o aumento em prefixados e ações foi acompanhado de cortes em fundos listados e alternativos.

Para os títulos indexados à inflação, a avaliação é de que a melhora das expectativas fiscais pode favorecer um fechamento gradual dos juros reais, enquanto os desafios fiscais e inflacionários justificam a manutenção de uma exposição estrutural à classe.

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Na Bolsa brasileira, a XP vê valuations ainda atrativos e prêmios de risco elevados na comparação histórica, o que pode favorecer os ativos locais caso se confirme uma trajetória fiscal mais crível. O time de alocação pondera, no entanto, que a sustentação do movimento “dependerá da confirmação das expectativas atualmente incorporadas aos preços dos ativos”, segundo o relatório mensal de alocação.

No exterior, a recomendação segue próxima do neutro tanto para renda fixa quanto para renda variável, com os juros americanos apontados como o principal fator de risco para as ações globais. Multimercados e alternativos mantêm a função de diversificação diante dos riscos políticos, fiscais e externos.

Mesmo com a redução, os ativos atrelados ao CDI seguem com exposição elevada, já que cumprem, segundo a XP, um papel importante de liquidez e preservação de capital. A casa reconhece, porém, que a classe deve perder atratividade relativa à medida que se intensifique a perspectiva de queda da Selic.

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A XP destaca que o processo eleitoral ainda não foi concluído e que, mesmo após as alterações, “a diversificação continua sendo um elemento central na construção dos portfólios”.