XP Asset vê valorização do fundo de infraestrutura XPIE mesmo com juros nas máximas

Na última data-base, o papel era negociado a cerca de R$ 56, o que representa, nas contas da gestora, um retorno potencial equivalente à inflação mais 13,7% ao ano

Osni Alves

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Uma turbina danificada na Vineyard Wind, o segundo maior parque eólico offshore do país, na costa de Massachusetts, levou ao fechamento de várias praias para banhistas quando quebrou no ano passado. Crédito... Randi Baird para The New York Times
Uma turbina danificada na Vineyard Wind, o segundo maior parque eólico offshore do país, na costa de Massachusetts, levou ao fechamento de várias praias para banhistas quando quebrou no ano passado. Crédito... Randi Baird para The New York Times

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O XP Infra II (XPIE), fundo de infraestrutura listado e gerido pela XP Asset, fechou o quarto trimestre de 2025 com uma valorização patrimonial de aproximadamente 4,5%, elevando a cota patrimonial de R$ 77 para R$ 81,10.

O ganho, equivalente a cerca de R$ 50 milhões no conjunto de participações diretas do fundo, surpreendeu num cenário em que os títulos públicos atrelados à inflação (NTN-Bs) atingiram patamares históricos de juros — condição que, em tese, tende a reduzir ou até anular a valorização de ativos como os que compõem o portfólio.

A lógica é simples: quando os juros reais sobem, a taxa usada para calcular o valor presente dos projetos também sobe, o que normalmente comprime o preço dos ativos. Ainda assim, segundo a XP Asset, a qualidade operacional dos projetos — todos já em funcionamento e com receitas previsíveis — permitiu que o portfólio se valorizasse de forma relevante mesmo nesse ambiente adverso.

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Na bolsa, porém, a cota segue bem abaixo do patrimônio. Na última data-base, o papel era negociado a cerca de R$ 56, o que representa, nas contas da gestora, um retorno potencial equivalente à inflação mais 13,7% ao ano. Com quase 10 mil cotistas e um volume médio diário de negociação de R$ 1,8 milhão, o fundo já devolveu R$ 587 milhões aos investidores desde sua criação — R$ 67,41 por cota em pouco menos de sete anos.

A gestora confirmou a meta de distribuição de R$ 1 por cota ao mês ao longo de 2026. Para 2027, porém, sinalizou uma redução para a faixa entre R$ 0,75 e R$ 0,85 por cota mensal, em razão do encerramento dos pagamentos da debênture Alísio, título de dívida adquirido em 2023 cujos fluxos se estendem até meados de 2027. Segundo a XP Asset, essa redução já vinha sendo comunicada ao mercado com antecedência.

Cortes de energia: desfecho melhor que o esperado

O tema que mais movimentou os ativos de geração de energia do fundo ao longo de 2025 foi o chamado curtailment — os cortes compulsórios de geração impostos pelo operador do sistema elétrico, que obrigam usinas a reduzir ou interromper a produção mesmo quando há capacidade disponível.

A aprovação da Medida Provisória 1.304 trouxe um desfecho considerado extremamente positivo pela XP Asset: dos três tipos de corte existentes, dois deixaram de ser cobrados do gerador, aliviando de forma significativa o impacto financeiro sobre os parques do fundo.

O efeito prático foi imediato. No caso de Apodi, usina solar de 162 MWp localizada no Ceará, o fundo recebeu R$ 20 milhões em ressarcimento de cortes passados que haviam sido contabilizados pela regra antiga.

A provisão para perdas que o fundo mantinha sobre o ativo caiu de 28% para 8%. Ao longo do período, Apodi distribuiu R$ 40 milhões em dividendos aos seus acionistas, dos quais R$ 4 milhões foram direcionados ao Infra II.

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Nos parques eólicos Vila Acre I e Vila Acre II, adquiridos há cerca de dois anos por R$ 270 milhões no total, houve reversão de uma provisão de aproximadamente R$ 15 milhões, o que elevou o lucro de 2025 e abriu espaço para mais distribuições.

Os dois parques também registraram ventos melhores ao longo do ano: a geração acumulada em 12 meses saltou de 13 para 15 megawatts médios. Juntos, os ativos já devolveram quase R$ 80 milhões ao fundo em menos de dois anos.

A gestora destacou que, mesmo antes da aprovação da MP, o banco credor dos projetos autorizou a distribuição de R$ 43 milhões em dividendos de Vila Acre I — o que, na visão da XP Asset, é a maior prova de que os ativos estão financeiramente saudáveis apesar das incertezas regulatórias.

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O cenário em fevereiro de 2026 é descrito como marginalmente melhor do que o projetado, com as cobranças de curtailment das eólicas ainda suspensas e sem impacto no caixa do fundo.