Com R$ 200 bi sob gestão, XP Asset mira estrangeiro, institucional e family offices

Com presença forte no varejo e atuação crescente no institucional, a XP Asset aposta que o momento é de reafirmar sua solidez e capacidade de adaptação, diz head comercial da gestora

Jamille Niero

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Com uma atuação consolidada no mercado local e um portfólio diversificado, a XP Asset está de olho em novas oportunidades de crescimento. A gestora, que tem cerca de R$ 200 bilhões sob gestão, quer aprofundar a relação com investidores institucionais, family offices e clientes regulados — e também mira os investidores estrangeiros como um próximo passo estratégico. “Esse pode ser um avanço importante para a XP Asset”, afirma Manuella Passini, head comercial da casa.

O movimento vem num momento de reconhecimento. A XP Asset foi destaque na Premiação Outliers InfoMoney, que condecorou as melhores gestoras do mercado em 16 categorias. A casa levou o segundo lugar entre as gestoras de alternativos e ficou em terceiro na categoria de melhor fundo imobiliário de tijolo, com o XP Malls — maior FII de tijolo listado em valor de mercado.

Apesar das incertezas macroeconômicas, Manuella ressalta que esse tipo de ambiente reforça a importância de uma gestão profissional e estratégias bem diversificadas. “Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta. Diversificar é essencial para mitigar riscos e garantir ganhos reais no longo prazo”, diz.

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Com presença forte no varejo e atuação crescente no institucional, a XP Asset aposta que o momento é de reafirmar sua solidez e capacidade de adaptação. A cultura colaborativa entre os times de gestão e a visão de longo prazo são, segundo a gestora, diferenciais importantes para seguir entregando valor em diferentes ciclos de mercado.

Confira abaixo a entrevista com Manuella Passini, head comercial da XP Asset.

InfoMoney: Para começar, pode contar sobre a trajetória da XP Asset e as verticais em que a gestora atua?

Manuella Passini: A XP Asset tem quase duas décadas de história, durante as quais passamos por diversos ciclos de mercado. Evoluímos continuamente nossos processos, a governança e a grade de produtos. Ao longo desse caminho, nos consolidamos como uma das maiores e mais completas assets do país, e temos alguns marcos que ilustram bem dessa jornada.

Na frente de renda variável e de crédito privado, nós temos fundos com mais de 10 anos de histórico, bem-posicionados no primeiro quartil da indústria em diversas janelas de análise. Em 2015, lançamos o primeiro fundo de crédito no modelo multiestratégia, o XPCE, que combina books de crédito privado, special situations, imobiliário e infraestrutura. Logo na sequencia vieram outras assets com produtos parecidos. Foi uma estratégia de bastante sucesso.

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Fomos também a primeira gestora a distribuir um fundo de private equity para o investidor pessoa física, com tickets mínimos acessíveis. No passado, esses produtos só eram acessados pelos grandes investidores institucionais com cheques muito altos. Esse pioneirismo está no DNA da XP. Depois, também distribuímos outros fundos alternativos, uma frente que cresce ano a ano no Brasil. Outro ponto é que temos produtos de grande escala. Um deles é o Maxi Renda, FII de crédito imobiliário, com mais de 1 milhão de cotistas, e o XP Malls, que é o maior FII de tijolo da B3 em valor de mercado.

Hoje, temos cerca de R$ 200 bilhões sob gestão, distribuídos em 13 estratégias entre fundos líquidos e ilíquidos alternativos listados. Nosso portfólio se sustenta em três pilares: pessoas, processos e produtos. Temos um time altamente qualificado, processos bem estabelecidos e uma gama de produtos que atende às diversas necessidades dos nossos 4 milhões de cotistas, investidores que são pessoas físicas, grandes investidores institucionais e family offices.

IM: E pensando no futuro, quais são as ambições estratégicas da XP Asset para os próximos anos? Vocês têm planos de expansão ou estão desenvolvendo novos produtos e/ou novas estratégias?

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MP: Do lado de produtos temos uma oferta bastante completa, mas estamos sempre acompanhando a evolução do mercado, aqui e lá fora. Isso nos dá ideias de novos produtos. Em termos de estratégia, também somos bastante completos., com tendência a fazer ajustes pontuais dentro das nossas células de gestão, sempre com foco em entregar os melhores resultados para os clientes.

Pensando em pontos de expansão, temos feito um trabalho excepcional no passivo de varejo da XP, com mais de 400 escritórios de agentes autônomos e 2 mil assessores na nossa rede interna (B2C) espalhados pelo Brasil. Mas buscamos constantemente aprimorar essa diversificação do passivo. Já temos relacionamento amplo com family offices e investidores institucionais, e avaliamos formas de ampliar essa atuação, inclusive com soluções para clientes regulados e oportunidades de co-investimento, principalmente para o público de multi family offices, que tem um apetite maior por esse tipo de iniciativa.

Uma frente em que ainda vemos muito espaço para crescer é com investidores estrangeiros. Dada a relevância da marca XP também no exterior, acreditamos que isso pode facilitar a entrada de capital internacional nos nossos fundos.

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IM: Queria te ouvir também sobre governança. Quais são as boas práticas adotadas pela XP Asset nesse sentido?

MP: Os processos são um dos pilares fundamentais para o sucesso da asset. Junto com os processos vem a governança e os controles de qualidade. Nós balanceamos a robustez da XP Inc. com os processos sólidos e independentes da XP Asset, e total autonomia para tomada de decisão, apesar de estarmos inseridos dentro do grupo XP. Contamos com times dedicados de jurídico, controle, governança, backoffice e tecnologia, todos sob a liderança do nosso COO, que é totalmente dedicado à XP Asset.

Revisamos constantemente nossos processos para garantir uma melhor entrega aos cotistas. Além disso, cada uma das 13 mesas de gestão tem seus processos de investimento independentes e segregados, com comitês de risco e investimento alinhados às melhores práticas de mercado.

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IM: Sobre a participação da XP Asset na premiação Outliers InfoMoney, a casa se destacou em duas categorias, sendo uma delas a de gestoras de alternativos, ficando com o segundo lugar. Qual você diria que é o diferencial que contribuiu para o destaque nessa categoria?

MP: Ficamos muito orgulhosos com o prêmio. Acredito que essa força vem de dois fatores principais: o time e a cultura colaborativa. Temos um time sênior, experiente e alinhado com os resultados de curto, médio e longo prazo. No final do dia, uma asset é um business de pessoas, e essa frente é fundamental para o sucesso.

O segundo ponto é a cultura de “inteligência compartilhada” que cultivamos entre os times de gestão, sempre respeitando as regras de compliance. Essa cultura colaborativa permite a troca de experiencias entre os times de gestão e viabiliza investimentos que muitas vezes só são possíveis graças ao trabalho em conjunto, com otimização de valuation e estruturação de produtos.

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IM: Continuando na premiação, mas falando agora dos fundos, a XP Asset se destacou também na categoria melhor fundo de investimento imobiliário de tijolo, o FII, levando o terceiro lugar com o XP Malls. Pode explicar o que é um FII de tijolo para quem não sabe o que é e por que, na sua avaliação, esse fundo se destacou? O que torna ele atrativo?

MP: Um FII de tijolo é um fundo que investe diretamente em imóveis físicos, como prédios comerciais, galpões logísticos e shoppings – que é o nosso caso. Basicamente a renda é gerada pelo aluguel ou pela valorização dos imóveis. O XP Malls é um dos nossos flagships. Ele é o maior FII de tijolo listado do Brasil em valor de mercado e foi construído ao longo dos últimos anos com uma estratégia de adquirir ativos de altíssima qualidade junto com os melhores administradores de shoppings do país.

É interessante que muitos cotistas entram no fundo porque conhecem e confiam na qualidade dos shoppings do portfólio, que são bastante frequentados pela população brasileira. Outro diferencial é nossa equipe operacional, formada por profissionais que já trabalharam em shoppings, e são suporte direto aos gestores. É um ponto forte que nos diferencia.

IM: Por fim, queria te ouvir sobre o atual cenário de incertezas fiscais e políticas. Recentemente, algumas medidas do governo impactaram os investimentos em várias categorias: tanto o decreto que aumentou o IOF [derrubado pelo Congresso, após a realização dessa entrevista], em algumas operações, quanto a medida provisória (MP) que unificou a alíquota de imposto de renda (IR), em 17,5% para a maioria das aplicações, além de ativos que hoje são isentos e vão passar a estar sujeitos a 5% de IR a partir de 2026. Diante desse cenário, vocês enxergam oportunidades para os investidores? Qual é a dica essencial para aproveitar esse momento turbulento?

MP: O Brasil é um país com uma complexidade única, especialmente nos âmbitos fiscal e político. Justamente esses momentos de mercado reforçam a importância da diversificação de portfólio. Não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta. A diversificação é importante para o investidor alcançar ganhos reais no longo prazo, funciona como um mitigador de riscos para as carteiras.

Quanto às mudanças recentes, ainda há muitas incertezas e pontos em aberto a serem discutidos, mas posso dizer que nosso time está trabalhando para adaptar o que for possível e minimizar os potenciais impactos. Não é a primeira vez que esse tipo de ruído surge e certamente não será a última. O mais importante é estar alocado com gestores de confiança, que já passaram por diversos ciclos de mercado e sabem navegar por momentos de turbulência, como é o nosso caso aqui na XP Asset.

Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa